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Vila Nova de Famalicão | 3 Fev 2020
Semear esperança é estar ao lado dos últimos
O que recordo de mais positivo nestes anos foi a atitude de procurar caminhar juntos, fazer juntos (…) um caminho de busca da presença de Deus e dos valores de Jesus e do seu Evangelho...
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Partilho convosco a minha experiência de dez anos a trabalhar como missionário comboniano na Etiópia, entre o povo Gumuz.

Natural da paróquia de Jesufrei, Famalicão. Ordenado padre em 2003, depois de 5 anos a trabalhar na pastoral vocacional e juvenil em Viseu, de 2009 até 2019 trabalhei na Etiópia.

A minha adolescência foi muito marcada pela busca do meu caminho para o futuro, que profissão seguir, para quê estudar. Tive sempre  o desejo de fazer algo de bom e grande pelos outros...este desejo foi sendo alimentado pela leitura das revistas missionárias Audácia e Além-Mar. Sentia-me chamado a algo mais do que o empenho nas actividades da paróquia!

 

Entre os mais esquecidos

Chegado à missão, a “minha terra prometida”, a primeira grande alegria que senti foi ter sido enviado a uma missão “verdadeiramente comboniana”, a missão com que eu tinha sempre sonhado: uma missão jovem, começada em 2003, e entre os “mais pobres e abandonados”. Os Gumuz são de facto um dos grupos dos mais esquecidos e marginalizados da Etiópia. São uma minoria nos cem milhões de habitantes da Etiópia, foram sempre perseguidos e escravizados pelos povos vizinhos. Sendo um povo marginalizado e esquecido, falta de tudo: investimento na educação, saúde, técnicas agrícolas, etc. A população vive da agricultura, uma agricultura de subsistência.

Na missão de Gilgel Beles o meu maior investimento em tempo e dedicação foi na formação de catequistas e outros agentes pastorais como os animadores e líderes das comunidades nas aldeias.  Juntamente com o trabalho pastoral desenvolvemos também alguns projectos no campo social como o jardim de infância e a abertura de alguns poços de água.

O que recordo de mais positivo nestes anos foi a atitude de procurar caminhar juntos, fazer juntos (missionários, pessoas em geral, catequistas, ...) um caminho de busca da presença de Deus e dos valores de Jesus e do seu Evangelho, nessa cultura e nos eventos de cada dia. Por outro lado, procurar responder a esta presença com generosidade e que os valores de Jesus possam cada vez mais ser acolhidos e penetrar nas escolhas que cada dia a pessoa é chamada a fazer. Caminhar juntos nem sempre é tarefa fácil, mas a busca em conjunto cria laços que se vão reforçando no caminho!

Fiéis ao carisma de S. Daniel Comboni, a nossa presença entre este povo sem voz nem vez é motivo de esperança: sabem e sentem que não estão abandonados a si próprios nem ao desprezo dos outros, mas que têm em si mesmos capacidades para lutar e para mudar o que consiram “destino fatídico” que os antepassados viveram. Do testemunho de um dos nossos cristãos recolhi um dia este testemunho: temos que agradecer muito a Deus a presença dos missionários entre nós, porque “alguém se lembrou de nós”! A presença do missionário é antes de mais o testemunho de que Deus está do lado deles!

A alegria é uma das características do povo Gumuz: alegria porque cada dia a vida se renova, alegria pela partilha e entreajuda entre as pessoas. A presença dos missionários e missionárias, da Palavra de Deus, é acolhida com alegria. A maioria da população é jovem, as crianças e os jovens abundam, por isso se mantém vivo o entusiasmo de ser cristão!

“Como me sinto chamado a ser Semeador de Esperança?”  Tento cada dia ser positivo e empenhar-me a fazer com que os outros o sejam também, seguro de que “Deus ama quem dá com alegria” (2 Cor 9,7) e esta tem sido a minha experiência nestes anos de consagração missionária comboniana: mais do que se dá, é muito mais o que se recebe e assim quero continuar!

Pe Quim, mccj


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