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Vila Nova de Famalicão | 29 Fev 2020
A linguagem da Criação, como lugar de Deus e projeto a cuidar (9)
"Os cristãos acreditam que o universo provém de uma decisão de amor do Criador, que permite ao homem ser livre, desde que se sirva da criação para o bem comum."
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Em síntese, a Laudato Sí conclui com duas belas orações, Oração pela nossa terra e a Oração cristã com a criação. Neste sentido, o Papa lança «um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós» (LS, 14). Sem dúvida, que necessitamos de um olhar diferente, de ideias, políticas, educação, estilo de vida e espiritualidade que resistam ao paradigma tecnocrático. Por fim, «esta encíclica abrirá um horizonte de uma nova consciência ambiental». Por outro lado, esta encíclica convida-nos a uma atitude interior, onde podemos fazer algo, procurando ir mais longe, e ver na natureza um irmão, isto é, um “outro” a amar? Assim, «amar a natureza não seria uma atitude romântica, mas antes um estímulo a um amor concreto que se manifesta nas pequenas coisas». Deste modo, a palavra relação é uma das palavra-chave desta encíclica. Na verdade, o Papa Francisco afirma diversas vezes que tudo está relacionado com tudo. De facto, Deus é Relação, Deus é Trindade, Deus é Comunhão. Pois a marca de Deus na criação é a relacionalidade, que se manifesta numa unidade. Portanto, devemos potenciar a oportunidade de relação com os seres humanos e com o mundo natural.  

Importa salientar que em 2015 ocorreu a conferência Mundial do Clima em Paris, designado por Acordo de Paris, que reagiu às medidas de redução de emissão dióxido de carbono a partir de 2020. Recordemos também a intervenção do Papa Francisco na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de setembro 2015, que apelou aos líderes mundiais que exercem poder que «A guerra é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente». O Papa demonstra a sua preocupação pela injustiça, pelas desigualdades, pobreza e pela deterioração pelo ambiente, preocupações essas, em grande maioria desenvolve na Carta Encíclica Laudato Sí. Tendo em conta, tais preocupações o Papa afirma perante toda a Assembleia Geral das Nações Unidas que é necessário afirmar a existência dum verdadeiro «direito do ambiente», porque como seres humanos fazemos parte do ambiente.

Em primeiro lugar, sua Santidade Papa Francisco diz-nos que: «Vivemos em comunhão com ele, porque o próprio ambiente comporta limites éticos que a acção humana deve reconhecer e respeitar. O homem, apesar de dotado de «capacidades originais [que] manifestam uma singularidade que transcende o âmbito físico e biológico» (Enc. Laudato si’, 81), não deixa ao mesmo tempo de ser uma porção deste ambiente. Possui um corpo formado por elementos físicos, químicos e biológicos, e só pode sobreviver e desenvolver-se se o ambiente ecológico lhe for favorável. Por conseguinte, qualquer dano ao meio ambiente é um dano à humanidade». 

De facto, o Papa Francisco apresenta o homem com as suas capacidades, mas que esse mesmo homem só pode viver com qualidade, se o ambiente for benéfico. Além disso, qualquer estropício que o homem faça ao meio ambiente, é sem dúvida, um mal a toda a humanidade. 

Em segundo lugar, o Papa afirma: «cada uma das criaturas, especialmente seres vivos, possui em si mesma um valor de existência, de vida, de beleza e de interdependência com outras criaturas. Nós cristãos, juntamente com as outras religiões monoteístas, acreditamos que o universo provém duma decisão de amor do Criador, que permite ao homem servir-se respeitosamente da criação para o bem dos seus semelhantes e para a glória do Criador, mas sem abusar dela e muito menos sentir-se autorizado a destruí-la. E, para todas as crenças religiosas, o ambiente é um bem fundamental (cf. ibid., 81)».

Assim sendo, compreendemos que o Papa Francisco uma vez mais nos fala dos seres vivos que possuem valores imprescindíveis, como a vida, a beleza. Com efeito, os cristãos acreditam que o universo provém de uma decisão de amor do Criador, que permite ao homem ser livre, desde que se sirva da criação para o bem comum.  

Carlos Araújo, scj (dehoniano)


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