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23 Set 2017
“Uma viagem à alma”, Bill Viola no Guggenheim de Bilbau
Como diz o poeta e pintor William Blake na primeira epígrafe da introdução do catálogo da exposição – ou da “viagem à alma” – “se as portas da percepção se depurassem, tudo apareceria ante o homem tal como é: infinito”.
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por Eduardo Jorge Madureira Lopes

 

“Isto é uma viagem à alma”. O modo como Kira Perov caracteriza a exposição de Bill Viola no Museu Guggenheim de Bilbau pode parecer de uma grandiloquência algo pretensiosa e até, de certo modo, suspeita, uma vez que Kira Perov, além de colaboradora, é a mulher de Bill Viola. Mas, tendo percorrido demoradamente as oito salas do Guggenheim por onde a retrospectiva se espalha, testemunho o quão acertada é a apreciação. A retrospectiva de um dos criadores mais fascinantes da arte dos nossos dias é, de facto, “uma viagem à alma”. Não é apenas isso – como se isso fosse pouco – e, se se preferir, pode-se olhar para o trabalho artístico realizado ao longo de quarenta anos para reparar na mestria com que, de forma precursora, Bill Viola foi rendibilizando na sua obra o extraordinário progresso das técnicas audiovisuais.

O que os artistas fazem é tentar descrever a alma humana, disse Bill Viola numa entrevista concedida a propósito desta exposição que pode ser vista até 9 de Novembro. A alma, afirma ele, é o fio condutor dos artistas, desde os pintores das cavernas dos tempos paleolíticos até ao presente. “É uma fonte de criatividade a que, de facto, qualquer um pode recorrer e permanente tema essencial”. Falar da alma humana, explica Bill Viola, é interrogar a vida, a morte e a consciência humana, questões que profundamente convocam estas obras.

Uma das mais fascinantes é “Avançando cada dia”, título extraído do Livro dos mortos do antigo Egipto, um guia para ajudar a alma a caminhar até à luz, uma vez liberta da obscuridade do corpo. Recordando os conjuntos de frescos de Giotto (a capela dos Scrovegni, também conhecida por capela Arena, em Pádua) e Luca Signorelli (a capela de San Brizio, em Orvietto), a obra é configurada por cinco enormes projecções de vídeo de alta definição, exibidas em simultâneo, que correspondem a “O nascimento do fogo”, “O caminho”, “O dilúvio”, “A viagem” e “A primeira luz”. A história que se conta em cada painel insere-se num ciclo narrativo geral apresentado na sala.

Não menos impressionante é “A ascensão de Tristão (O som da montanha debaixo de uma cascata)”. Criada originalmente para acompanhar uma versão de Tristão e Isolda, ópera de Richard Wagner, foi objecto de um trabalho de edição posterior, nomeadamente ao nível do som, para que se pudesse afirmar como uma peça autónoma. “A ascensão de Tristão”, segundo Bill Viola, “descreve a ascensão da alma para o espaço depois da morte”. Com cerca de dez minutos de duração, as imagens começam por mostrar um homem que jaz sobre uma laje de pedra. Vêem-se depois pequenas gotas de chuva que se vão transformar num forte dilúvio de uma cascata invertida que acompanha o movimento do corpo que, içado, sobe lentamente até desaparecer da imagem. A calma, por fim, regressa, dando lugar a um espaço negro e vazio. A aparição e a desaparição, a transfiguração e o renascimento, postos muitas vezes em cena com recurso à água ou ao fogo, são persistentes nos trabalhos videográficos de Bill Viola.

Muitos deles podem ser vistos na Internet (Dailymotion, Vimeo, YouTube ou sites de artes plásticas), mas é, evidentemente, preferível observá-los em tamanho natural. Uns porque se tornam muito mais impressionantes pelas enormes dimensões da superfície de exibição (é o que sucede vendo “A ascensão de Tristão” projectada em cerca de oito metros de altura), outros porque integram séries que requerem ou, pelo menos, beneficiam de uma observação de conjunto (por exemplo “Os sonhadores”, para além de “Avançando cada dia”), outros ainda porque, nas suas imagens, há uma incorporação do espectador presente (como sucede em “Uma história que gira lentamente”, que se projecta sobre um enorme ecrã que roda lentamente. De um lado, aparece um rosto de um homem que recita uns cânticos; do outro, há um enorme espelho em que o espectador se pode ver refletido).

Com quem observa, Bill Viola partilha uma experiência de espiritualidade, que define “como o caminho para sair de si mesmo”. O artista gosta da explicação sufi que compara o homem com um pássaro que aprendeu a voar dentro de uma gaiola. “Não podemos sair da jaula, estamos presos no nosso corpo”, diz ele, acrescentando que, por isso, se se quer voar, o melhor é aprender a fazê-lo com esta coisa ao redor. O empreendimento não é simples, mas o efeito é estimulante. Como diz o poeta e pintor William Blake na primeira epígrafe da introdução do catálogo da exposição – ou da “viagem à alma” – “se as portas da percepção se depurassem, tudo apareceria ante o homem tal como é: infinito”.


FONTE: Diário do Minho, 24 de Setembro de 2017, p. 2.

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Palavras-Chave:
Bill Viola  •  Guggenheim de Bilbau  •  Arte  •  Kira Perov  •  Exposição
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