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DACS com Agência ECCLESIA | 13 Jun 2019
Papa alerta para a “marginalização” de milhões de pessoas
Mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres foi divulgada hoje pelo Vaticano.
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O Papa Francisco denuncia, na sua mensagem para o III Dia Mundial dos Pobres, a existência de um “túnel” sem fim de miséria que exclui a maior parte da população mundial, gerando uma situação que será insustentável a curto prazo.

“A condição de marginalização, em que vivem acabrunhadas milhões de pessoas, não poderá durar por muito tempo. O seu clamor aumenta e abraça a terra inteira”, escreve o Papa no texto divulgado hoje pelo Vaticano, em que também denuncia “formas de novas escravidões” a que estão submetidos milhões de homens, mulheres, jovens e crianças nos dias de hoje.

O Papa evoca, em particular, “os milhões de migrantes vítimas de tantos interesses ocultos”, as pessoas sem-abrigo e marginalizadas e os pobres que procuram, no lixo, algo com que se “alimentar ou vestir”.

A mensagem, entitulada A esperança dos pobres jamais se frustará, alerta para a rejeição destas populações na própria arquitectura das cidades contemporâneas, que procura “desembaraçar-se da sua presença mesmo nas estradas, os últimos espaços de acolhimento”. Francisco adverte ainda que “drama dentro do drama, não é consentido a estas pessoas ver o fim do túnel da miséria”.

O título da mensagem é justificado pelo Sumo Pontífice com a vontade de mostrar que “a esperança perdida devido às injustiças, aos sofrimentos e à precariedade da vida será restabelecida”, uma convicção que surge como resposta à pergunta “como é que Deus pode tolerar esta desigualdade?”.

O «dia do Senhor», descrito pelos profetas, destruirá as barreiras criadas entre países e substituirá a arrogância de poucos com a solidariedade de muitos”, acrescenta.

Francisco questiona a “retórica” sem consequências com que os responsáveis da sociedade tratam a “multidão de pobres”, cada vez mais marginalizados e suportados com fastídio”. Como que se tornam invisíveis, e a sua voz já não tem força nem consistência na sociedade. Homens e mulheres cada vez mais estranhos entre as nossas casas e marginalizados entre os nossos bairros.

Dirigindo a sua atenção para as comunidades católicas, a mensagem recorda que a acção de Deus em favor dos pobres é uma constante na Bíblia.

“O Deus que Jesus quis revelar é este: um Pai generoso, misericordioso, inexaurível na sua bondade e graça, que dá esperança sobretudo a quantos estão desiludidos e privados de futuro”, realça.

O Papa sublinha que os católicos têm de assumir a responsabilidade de dar “esperança aos pobres” e não apenas uma resposta assistencialista, promovendo uma “mudança de mentalidade para redescobrir o essencial”.

O texto deixa uma palavra de gratidão aos voluntários de todo o mundo e evoca a figura de Jean Vanier, falecido no início de Maio, como “grande apóstolo dos pobres”, pela sua acção em favor das pessoas com deficiências profundas “que muitas vezes a sociedade tende a excluir”.

A mensagem conclui-se com um desafio do Papa para que este Dia Mundial possa “reforçar em muitos a vontade de colaborar concretamente para que ninguém se sinta privado da proximidade e da solidariedade”.

A celebração do III Dia Mundial dos Pobres tem lugar a 17 de Novembro. Como no anos anteriores, o Papa vai almoçar com um grupo de 1.500 pobres, da Itália e vários países europeus, no auditório Paulo VI, do Vaticano, após a Missa na Basílica de São Pedro.

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