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5 Out 2015
Sínodo dos Bispos: "não vai haver mudanças espectaculares"
Santa Missa de abertura foi celebrada ontem. Primeiros trabalhos sinodais aconteceram durante o dia de hoje.
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  © Ecclesia

Santa Missa de Abertura

O Papa Francisco inaugurou ontem a nova assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a família com uma homilia que abordou o drama da solidão, o amor entre homem e mulher e a família.

“As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos”, apontou o Santo Padre, que iniciou a homilia citando uma passagem do Evangelho de São João: “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chega à perfeição em nós”.

A solidão de Adão foi transportada para os dias de hoje quando o Sumo Pontífice se referiu aos idosos abandonados, viúvos, pessoas sós, migrantes entre outros casos de pessoas fragilizadas.

Compreendendo a solidão de Adão, Deus decidiu dar-lhe um “auxiliar semelhante” - a mulher - porque o ser humano não foi criado para "viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos (...)”. Desta forma, Deus quis que Adão e Eva fossem um só numa união indissolúvel e abençoada pelo Criador.

“Para Deus, o matrimónio não é utopia da adolescência, mas um sonho sem o qual a sua criatura estará condenada à solidão. De facto, o medo de aderir a este projecto paralisa o coração humano”, sublinhou o Papa.

“Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimónio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente”, explicou.

Mais tarde, durante a recitação do Ângelus, Francisco voltou a reflectir sobre o Sínodo.

“Vamos manter o nosso olhar fixo em Jesus para encontrar, com base no seu ensinamento de verdade e misericórdia, as vias mais adequadas para um empenho adequado da Igreja com as famílias e para as famílias, para que o plano original do Criador sobre o homem e a mulher se possa realizar e operar em toda a sua beleza e força no mundo de hoje”, afirmou. De forma emocionada, o Papa recordou depois as situações que atingem "muitas crianças esfomeadas, abandonadas, exploradas, forçadas à guerra e recusadas", admitindo que é doloroso ver as "imagens de crianças infelizes".

Dia 1

Os trabalhos sinodais iniciaram-se hoje, 05 de Outubro, logo pela manhã, com uma Congregação Geral. 

“A Igreja retoma hoje o diálogo iniciado com a proclamação do Sínodo Extraordinário sobre a família e certamente também muito antes, para avaliar e refletir juntos sobre o texto do Instrumento de Trabalho elaborado pela Relatio Synodi e pelas respostas das Conferências Episcopais e dos organismos autorizados”, afirmou o Santo Padre no discurso que antecedeu a primeira Congregação Geral.

 

Francisco recordou que o Sínodo não é um congresso, um parlamento ou um senado. "É um caminhar juntos, com o espírito de colegialidade e de sinodalidade, adoptando corajosamente a parresia, o zelo pastoral e doutrinal, a sabedoria, a franqueza e colocando sempre diante dos olhos o bem da Igreja, das famílias".

No final, o Santo Padre agradeceu a todos que trabalharam para conseguir a realização do Sínodo e pediu a intercessão da Sagrada Família para os trabalhos sinodais.

O relatório inicial, apresentado pelo Cardeal Peter Erdö e dividido em três partes - desafios, vocação e a missão da família - propôs um acompanhamento “misericordioso” para quem vive situações familiares difíceis como os divorciados (recusados ou não), sem questionar a “indissolubilidade” do matrimónio.

O documento abordou ainda actuais desafios para as famílias, como a questão das migrações, injustiças sociais, salários baixos ou violência doméstica.

Outro dos parágrafos foi dedicado ao cuidado pastoral das pessoas homossexuais, sublinhando que estas devem ser acolhidas “com respeito e delicadeza”, evitando qualquer sinal de discriminação injusta. Porém, “não há fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogias, sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus para o matrimónio e a família”, explica o relatório.

Os últimos parágrafos do documento abordaram o tema da vida, dizendo inequivocamente «não» ao "aborto, à terapia agressiva, à eutanásia, e «sim» à abertura à vida como exigência intrínseca do amor conjugal".

O cardeal húngaro concluiu a sua intervenção afirmando que “para enfrentar o desafio da família hoje, a Igreja deve converter-se e tornar-se mais viva, mais pessoal, mais comunitária, também a nível paroquial e nas pequenas comunidades”.

 

No início da tarde, pelas 13h00 locais, realizou-se uma conferência de imprensa conduzida pelo Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, e a participação de um presidente-delegado, Cardeal André Vingt-Trois, do relator-geral, Cardeal Peter Erdö, e do secretário-especial, D. Bruno Forte.

Vingt-Trois apontou o Sínodo como um momento de oração, "um tempo em que a Igreja se reúne com o Papa". O cardeal francês elogiou e considerou positiva a "diversidade dos participantes", considerando que as diferenças não impedem um consenso, já que todos os participantes se encontram "abertos a Deus".

Por sua vez, o Cardeal Erdö centrou a sua intervenção nas "boas famílias" das comunidades cristãs que assumem um papel preponderante "em muitas paróquias, em muitos movimentos e na transmissão da fé".

Já o o secretário-especial do Sínodo, D. Forte, rejeitou a ideia de haver "dois partidos" dentro do Sínodo, como havia sido veiculado por "alguns meios de informação", referindo-se aos bispos participantes como "pastores, homens de fé que se colocam à escuta de Deus e diante das expectativas e desafios do povo".

"Não vai haver mudanças espectaculares"

A afirmação é do cardeal André Vingt-Trois, um dos presidentes-delegados do Sínodo dos Bispos, que recusou a ideia de mudanças abruptas no que diz respeito ao matrimónio e à família.

O arcebispo de Paris admitiu, no entanto, que foi muita a pressão mediática vivida desde a reunião extraordinária, em 2014. Ainda assim, o responsável afirma que não está em causa “abrir indiferentemente o acesso à Comunhão”, mas sim enfrentar a “profunda mudança” da sociedade, que a Igreja tem de acompanhar de forma sensível.

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