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DACS | 12 Out 2015
Sínodo: temas "difíceis" e tudo em aberto
Já começaram a ser abordados os temas da terceira parte do Instrumento de Trabalho, "A missão da família hoje".
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Dia 6: Uma semana de trabalhos

A conferência de imprensa do dia 10 de Outubro, Sábado, revelou um formato ligeiramente diferente de todas as outras. A assinalar uma semana de trabalhos sinodais, o painel – composto pelos padres Manuel Dorantes, Álvarez-Ossorio, Lombardi, Rosica e Bernd Hagenkord, pelo Cardeal Baselios Thottunkal e por Romilda Ferrauto – optou por intervenções individuais que resumiram alguns dos aspectos apresentados até agora pelos diferentes círculos.

Família e missão, o acolhimento das famílias feridas e a indissolubilidade do matrimónio foram alguns dos temas que os padres sinodais trataram nas 4ª, 5ª e 6ª congregações do Sínodo, onde se registaram 75 intervenções.

O padre Federico Lombardi, Director da Sala de Imprensa da Santa Sé, começou por enumerar alguns dos temas já tratados: a família como caminho concreto da Igreja, a família como escola de humanidade, sociabilidade e evangelização, a missão da família e a misericórdia. Este último aspecto foi analizado em conjunto com outros três: a verdade, a justiça e o acolhimento.

“Tem havido uma grande insistência sobre o tema do acolhimento, que a Igreja deve sempre ter em relação a todos, a todas as famílias, incluindo aquelas que possam estar em dificuldade. Proclamar o Evangelho é abraçar as pessoas”, sublinhou.

O pe. Lombardi referiu também intervenções dos padres sinodais sobre a indissolubilidade do matrimónio, “que deve ser apresentada como um dom e não como um jugo”. O responsável referiu ainda os testemunhos de casais de diferentes religiões, “verdadeiros espaços de diálogo inter-religioso e respeito”.

O Director da Sala de Imprensa da Santa Sé revelou ainda que já foi iniciado o debate sobre a terceira parte do Instrumentum Laboris com o tema “A missão da família hoje”. De recordar que o capítulo contempla os ditos temas “difíceis” como a figura dos divorciados recasados e não recasados, famílias monoparentais, casamento civil e pessoas homossexuais.

“É apenas o início de um debate que será amplamente discutido e estudado nos próximos dias”, salientou.

Durante a sua intervenção, Romilda Ferrauto adiantou que os bispos estão sobretudo a concentrar-se em duas linhas de pensamento. “Uma refere que antes de julgarmos os outros, temos que nos julgar a nós próprios. Isto porque acabamos por ser sempre pessoas que acusam as falhas dos outros e não conseguem ver as suas próprias limitações”, referiu. A outra linha prende-se com a franqueza e a honestidade, sobretudo sobre a capacidade de falar abertamente sobre aspectos negativos da vida moderna. “A Igreja só será credível se for clara... e se a fé de Jesus for mostrada como verdadeira”, disse, citando a intervenção de um dos bispos sobre o assunto.

O Pe. Thomas Rosica também corroborou a ideia da franqueza quando citou a participação de outro bispo, que afirmou que “será impossível dar uma resposta a determinadas situações, a não ser que estas sejam abertamente reconhecidas. A misericórdia para com os pecadores não é uma forma de fraqueza nem um abandono dos ensinamentos da Igreja”.

“Temos que aprender como comunicar a verdade no amor em muitas situações, porque em muitas delas as pessoas estão completamente impotentes em relação ao que lhes aconteceu. E as nossas comunidades de fé têm que ser comunidades que acolhem as pessoas”, sublinhou.

Rosica disse ainda que um dos padres sinodais falou sobre a possibilidade de um novo modo de funcionamento para o Sínodo dos Bispos ao sugerir que, no futuro, este se poderia tornar um processo de dois ou três anos que começaria com uma espécie de encontro continental entre os bispos, o que lhes permitiria a discussão de determinados temas em particular, antes do encontro em Roma.

O Pe. Manuel Dorantes recordou, citando uma das participações dos prelados, que o Sínodo é sobre a família e não apenas sobre o matrimónio, sublinhando que existem “muitas famílias sem matrimónio”. Dorantes referiu ainda que a Igreja vê o matrimónio como vocação, já que “o mesmo Deus que chama por padres, também chama pessoas para o casamento”. Lombardi completou a ideia afirmando que a vocação do matrimónio não deveria ser vista como inferior ao sacerdócio, mas sim com igual dignidade perante Deus.

O Cardeal Baselios Thottunkal. Arcebispo de Trivandrum da Igreja Católica Siro-Malancar, começou a sua intervenção dizendo que o Sínodo é um tempo para ouvir e partilhar, e para levar para casa algo de positivo que consiga mostrar às famílias o seu propósito divino. “Como é que sobrevivemos como famílias? Não por as famílias serem uma entidade social, mas sim por serem forças espirituais...”, sublinhou.

Dia 8: Novas estruturas familiares e "atitudes liberais". Entre a tradição e a flexibilidade

Em conferência de imprensa no final dos trabalhos do 8º dia do Sínodo, esta Segunda-feira, estiveram também em análise temas discutidos no Sábado.

O acesso ao sacramento da comunhão por parte dos divorciados foi um dos assuntos abordados nestes últimos dias do Sínodo. O P. Bernard Hagenkord garantiu que a assembleia é unânime no que respeita a esta questão: “Não fazer nada ou mudar tudo não são opções”. Já o P. Manuel Dorantes destacou a importância do acompanhamento durante a preparação para o matrimónio, apontando para um “itinerário catequístico similar ao da iniciação cristã”.

O P. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, adiantou que embora a Igreja esteja atenta a “todas as pessoas que se encontram em situações difíceis”, alguns dos participantes do Sínodo manifestaram uma “posição negativa” relativamente ao acesso dos divorciados recasados à Comunhão.

Ao referir-se a alguns dos pontos principais das intervenções dos grupos de trabalho em inglês, o P. Thomas Rosica falou acerca das “atitudes liberais” dos novos tempos, como “o divórcio, a contracepção, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, considerando-as um “grande desafio”. Rosica frisou que a tarefa principal da Igreja não é “apregoar leis morais”, mas sim mostrar “a beleza e o valor do casamento cristão”, assim como a necessidade da vida em família.

Sobre o tema da sexualidade, P. Rosica destacou que esta é “apenas uma parte da noção de vida em família e casamento”, ressalvando que a chave para a Igreja lidar com os novos desafios é “manter-se firme aos princípios teológicos mas tornar a disciplina eclesiástica flexível”. O “acompanhamento pastoral mais próximo” é algo que acredita ser necessário, já que “a Igreja deve ser uma mãe que acompanha e não rejeita ninguém”.

Acerca das novas estruturas familiares, das quais deu como exemplo as mães e pais solteiros, os casais de diferentes religiões, os casais do mesmo sexo, as famílias separadas devido a migrações ou à condição de refugiados, entre outras, P. Rosica deixou um apelo: “Nós temos que chegar àqueles que não se encaixam nas nossas categorias tradicionais. As novas famílias não podem continuar alienadas da Igreja, e a Igreja não pode continuar ausente destas novas situações”.

Durante a sua intervenção, o P. Manuel Dorantes introduziu outro tópico de análise: a “consciência”. Frisou a necessidade de acompanhar a formação da consciência pessoal, para que cada um adquira “as concepções intelectuais e afectivas que o permitam abrir-se à verdade moral”.

O P. Federico Lombardi destacou que os segundos relatórios dos 13 grupos de trabalho vão ser publicados Quarta-feira. Por sua vez, o relatório final vai ser entregue ao Papa e será ele a tomar as decisões finais.

Na conferência de imprensa participaram, também, dois dos casais que estiveram presentes nos trabalhos do Sínodo, um do Brasil e outro da Índia, que partilharam o seu testemunho acerca do matrimónio.

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