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21 Out 2015
Sínodo: Bispos sinodais, leigos e "delegados fraternos" analisam "temas polémicos". Opiniões unânimes fora de vista
Arrancou o debate em torno da terceira parte do "Instrumentum Laboris".
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Dia 11: Discussão sobre “temas polémicos” divide opiniões

Com a análise da terceira parte do “Instrumentum Laboris” surge a discussão em volta dos temas mais polémicos como o acesso aos sacramentos por parte de pessoas em uniões irregulares. Os divorciados recasados e os homossexuais estiveram no centro das questões debatidas pelos bispos nos grupos de trabalho do Sínodo.

 Na conferência de imprensa habitual, os porta-vozes presentes revelaram a variedade de opiniões dos bispos sinodais acerca dos temas em discussão. Alguns bispos apoiam uma mudança no que respeita ao acesso à comunhão por parte das pessoas em uniões irregulares. No entanto, uns defendem uma tomada de decisão universal, e outros acreditam que devem ser as diferentes conferências episcopais a decidir, de acordo com as realidades locais. Por outro lado, aqueles que rejeitam uma mudança de posicionamento da Igreja relativa a esta questão, apontam para uma necessidade de acompanhamento dos casais de modo a integrá-los na Igreja.

O padre Manuel Dorantes classificou as intervenções sinodais como “muito sinceras, com diferentes perspectivas” e acrescentou que se tratam de “um balanço entre o que é a misericórdia e o que é a obediência”. Alertou, porém, para a necessidade de não se precipitarem decisões por força da opinião pública.

 

Sobre a questão de se “abrir o caminho penitencial” aos divorciados recasados, um dos padres referiu o facto de se poder estar a cometer uma “injustiça em relação àquele que permaneceu fiel à primeira aliança e que, além do mais, assiste à missa na mesma paróquia que aquele que não foi fiel”. Alguns padres denunciaram ainda as práticas efectuadas em certos países, que consistem numa discriminação explícita dos divorciados recasados, alertando para a humilhação pública a que estas práticas conduzem.

A propósito dos homossexuais e dos divorciados que se voltam a casar, o Pe. Manuel Dorantes concluiu que “o importante é que são pessoas, e muitos deles cristãos, que enfrentaram situações muito dolorosas” e rematou: “Não se trata de mudar a doutrina católica, mas sim de mudar a nossa atitude”. D. Carlos Aguiar, arcebispo de Tlalnepantla, México, relembrou que do Sínodo não resultarão decisões finais, já que apenas serão transmitidas ao Papa as “reflexões” e os “pontos de vista” dos bispos sinodais.

Há bispos que clamam por um reforço da “doutrina católica” relacionada com a família e o matrimónio, enquanto que outros discordam da imagem dos sacerdotes como “controladores” dos fiéis. Ao longo dos trabalhos, falou-se ainda sobre uma forma mais moderna de preparação e formação para o matrimónio, através de propostas digitais, onde os noivos podem “tirar cursos básicos sobre a catequese do matrimónio”, tal como explicou o Pe. Dorantes.

As famílias dos seminaristas foram também alvo de análise por parte dos bispos sinodais, uma vez que muitos deles, sublinhou Dorantes, “vêm de famílias não perfeitas”, por isso tem sido discutido o modo como tem que se trabalhar “a questão social social e espiritual desses jovens antes de chegarem ao sacerdócio”.

O padre Thomas Rosica ressalvou a necessidade dos padres que vêm de famílias “desestruturadas” “compreenderem e resolverem” os conflitos dentro das suas próprias famílias para que possam ser “curadores misericordiosos”. Para se tornarem “bons pastores com a família e na preparação dos casais para o matrimónio”, os padres devem desenvolver certas qualidades que envolvam “respeito, cooperação, generosidade e compreensão”.

 

Dia 12: Tempo de ouvir as diferentes Igrejas Cristãs e de se falar sobre sexualidade

Os trabalhos de Quinta-feira à tarde e Sexta-feira de manhã contaram com as intervenções dos “delegados fraternos”, em representação das diferentes Igrejas Cristãs, e de leigos, alguns deles casais, que apesar de não terem direito de voto puderam intervir livremente. 

O tema da Comunhão por parte dos divorciados recasados voltou a ser debatido, enquanto que outros tópicos como os casamentos mistos e a abordagem da Igreja sobre a sexualidade humana foram, também, escrutinados.

A discussão em volta do acesso à Comunhão pelos divorciados recasados civilmente é uma questão “importante” embora “não dominante”, segundo o Pe. Bernard Hagenkord. O recurso à via penitencial foi novamente defendido por alguns dos padres sinodais, mas os diferentes posicionamentos sobre esta questão levaram à sugestão de se formar uma comissão para estudar melhor o assunto depois do Sínodo, por forma a “não se tomar uma decisão prematura”, resumiu Hagenkord.

Stephanos, primaz da Igreja Ortodoxa da Estónia e representante do Patriarcado Ecuménico de Constantinopla, presente na conferência de imprensa, referiu que a Igreja Ortodoxa permite um segundo casamento e, embora a teologia ortodoxa acredite na indissolubilidade do casamento, em certos casos específicos, explicou, “reconhecendo a fraqueza humana”, há alguma condescendência. Ressalvou, porém, que a cerimónia “é sempre penitencial”, recordando o facto de esta ser uma situação resultante do “pecado” e da “fraqueza”. Stephanos sublinhou que é preciso ser rigoroso quanto ao pecado, mas trazer o pecador de volta para a comunhão.

Por outro lado, Tim Thornton, bispo da Igreja Anglicana, mostrou-se “desiludido” por grande parte das conversações no Sínodo se debruçar sobre os divorciados recasados e, apesar de em menor escala, nos homossexuais, deixando de parte problemáticas não menos importantes levantadas por algumas pessoas, como a situação dos migrantes, dos refugiados e dos problemas económicos nas famílias.

Thornton apelou, ainda, a uma linguagem mais positiva relativamente aos casamentos “mistos”, entre fiéis de confissões diferentes, uma vez que o “Instrumentum Laboris”, refere, utiliza “frases muito negativistas” a este respeito.

A sexualidade humana foi um dos temas que mereceu grande atenção na discussão livre. O Pe. Manuel Dorantes – em conferência de imprensa - transmitiu a opinião de alguns leigos presentes no Sínodo, que consideram que a educação sexual deveria ser abordada pela Igreja, já que muitos pais de família não o fazem com os próprios filhos, deixando esse papel entregue à “educação pública”. A educação sexual praticada em grande parte dos países mereceu mesmo a classificação de “negativa e desastrosa”, levando Dorantes a afirmar: “À Igreja falta tomar este papel, apresentando a boa notícia da sexualidade humana como um caminho de amor, e não como um caminho de pecado”.

O Pe. Thomas Rosica frisou a importância de leigos e casais participarem na discussão em volta da sexualidade, uma vez que “a maioria daqueles que estão na sala são homens celibatários”, o que dificulta a abordagem do assunto. A relevância da Igreja como “mãe e professora do amor” mereceu também destaque pela parte de Rosica, que realçou o facto de esta dever estar envolvida na “transmissão da informação acerca da sexualidade humana”.

Outros dos temas abordados na discussão livre, tal como sintetizou o Pe. Rosica, foram a violência e os abusos sexuais dentro das famílias, o incesto, ou “martírio do silêncio”. O porta-voz para a língua inglesa explicou, a este respeito, que “a Igreja tem que se tornar a voz e dar voz àqueles que sofrem”. O sofrimento dos mais velhos, mereceu também a atenção dos intervenientes, chamando a atenção para o facto de o “isolamento” e “o sentimento de inutilidade” poderem conduzir ao “desespero ou mesmo ao suicídio”.

Na conferência de imprensa, Rosica destacou “um comentário em particular vindo de África”, que dizia respeito à forma como as crianças por vezes são encaradas, ou seja, “como objectos e receptores do cuidado pastoral”. Elas devem, contudo, ser vistas como “sujeitos que promovem as relações e a vida familiares”, uma vez que elas não são apenas receptoras, “mas sim as protagonistas”.

O ambiente do Sínodo foi muito elogiado pelo bispo Thornton, que enalteceu a partilha entre bispos sinodais acerca “daquilo que se passa nos seus contextos” e acrescentou: “O que eu vejo acontecer aqui é os bispos a construírem a sua própria confiança para dizerem exactamente aquilo que querem”.

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