Arquidiocese de Braga -

4 abril 2026

Imenso silêncio

Fotografia DM

Homilia do Arcebispo, D. José Cordeiro, nas Laudes do Sábado Santo

Sábado Santo é dia de imenso silêncio, mas um silêncio que não é vazio. É silêncio que dá espaço para Deus falar; silêncio que representa a descida de Cristo à mansão dos mortos, para realizar a etapa final da obra salvífica: na própria casa da morte, Cristo vai vencer a morte e libertar aqueles que eram prisioneiros da morte. E vence a morte pelo amor com que morreu na cruz. 

Não é a cruz que nos salva; o que nos salva é o amor com que ela é carregada. É por isso que uma cruz sem Cristo não tem qualquer significado para nós. Só com Cristo a cruz se torna redentora, porque o amor com que Jesus carregou a cruz foi um amor imenso, infinito, incondicional. 

Neste dia fazemos silêncio, silêncio orante, treinando a esperança. A nossa vida tem cruzes que por vezes são árduas de suportar, sobretudo porque nos parece que Deus está ausente, que não se lembra de nós no sofrimento dessas horas difíceis. Mas Ele está lá: guiando os acontecimentos, colocando as pessoas certas no nosso caminho. Essa é a nossa esperança. 

Um dia, José Saramago escreveu: «Deus é o grande silêncio do universo e o ser humano o grito que dá sentido a esse silêncio».

Com Maria, Senhora do silêncio, esperamos apesar da dor e da cruz. Esperamos treinando o olhar, para sabermos ler os sinais que nos mostram que algo inaudito vai acontecer: nas sombras da morte começa a brilhar a luz do Ressuscitado. Assim, suplicamos: «ó Virgem, catedral do silêncio, anel de ouro do tempo e da eternidade» (David Maria Turoldo).

Aqui, na Sé Primaz podemos experienciar o que uma bracarense, Maria Ondina Braga, provou e registou: «Muito fresca a Sé nas tardes de verão. A nave escura e imensa de silêncio».

 

 

+ José Manuel Cordeiro

Arcebispo Metropolita de Braga