Arquidiocese de Braga -
5 abril 2026
Evangelizar: transmitir o intransmissível
Homilia do Arcebispo, D. José Cordeiro, no Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
- O amor vivo
«Eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos», cantamos no salmo responsorial da Eucaristia de hoje. Este é o dia da nossa salvação, obra de Deus em nosso favor. E só Deus poderia criar um dia como este.
«A mão do Senhor fez prodígios, a mão do Senhor foi magnífica». Só o poder do amor de Deus, da sua eterna misericórdia, poderia derrotar a morte, o pecado e o mal, fazendo triunfar a vida. Com a ressurreição do seu Filho, Deus inaugura os tempos novos. Já não somos apenas seres humanos; pelo batismo, no qual participamos da morte e ressurreição de Cristo, tornamo-nos filhos de Deus, chamados a participar nos dinamismos da vida eterna, que começa já neste nosso mundo, por mais imperfeito que esse mundo seja.
Maria Madalena parte ainda de noite para o sepulcro. Entre todos os discípulos e apóstolos é nas mulheres que vemos a maior ansiedade de encontrar respostas após a morte de Cristo. Em Maria Madalena talvez a memória do amor de Cristo fosse tão viva que ela ainda não conseguia assumir e integrar a Sua morte. E para nós, ainda bem que assim foi. Porque Maria Madalena não se conformou e correu para o sepulcro logo que pôde, é que teve a graça de se encontrar com o Senhor ressuscitado e de O anunciar aos discípulos. O amor põe a vida em movimento, não nos deixa parados.
- A liberdade libertadora
Jesus viveu a sua vida completamente livre, totalmente desapegado de si mesmo e das coisas do mundo, amando em todos os momentos. Viveu para o Pai e pelo Pai, viveu para todos com quem se cruzou. Por isso, o seu amor foi mais forte do que a morte; por isso ressuscita.
O Ressuscitado quebra todas as barreiras e faz sentir a Sua presença na nossa vida de modos que por vezes nem conseguimos perceber. Mas a verdade que é Ele está sempre connosco. Assim, Jesus Cristo ressuscita para nos dizer que o amor de Deus por nós é maior que tudo, deixando-nos a promessa de que um dia ressuscitaremos em Cristo e em Cristo viveremos a vida de Deus, a vida eterna.
Nós somos homens e mulheres que nasceram na manhã daquela Páscoa, daquele Primeiro Dia. Somos os herdeiros da fé de Pedro, de João, de Maria Madalena e de tantos outros que souberam recordar o amor de Cristo e reavivar a fé, percebendo assim que Cristo tinha ressuscitado.
- Saber e acreditar no Ressuscitado
Se Cristo não tivesse ressuscitado o mais certo é que nem falássemos Dele. Nem sequer aqui estaríamos reunidos, porque foi a partir do evento da ressurreição que a fé cristã se tornou definitiva; foi após a ressurreição que as primeiras comunidades cristãs recuperaram e conservaram viva a memória de Jesus, tornando-O verdadeiramente presente nas comunidades, pela oração e pela caridade.
Somos nós hoje que temos de ter a vontade de encontrar o Ressuscitado. Ele continua presente no nosso mundo, como fermento que leveda toda a massa (cf. 1Cor 5,6b). Ele está presente no rosto de cada homem e mulher que arriscam viver como filhos da Páscoa: trabalhando sempre pelo bem, pela justiça, pela honestidade até nas coisas mais pequenas. Está presente em todos os homens e mulheres que deixam florir até a mais dura das cruzes, porque a sua esperança está somente Nele.
«Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós» (Sequência Pascal). Um sorriso e um abraço não cabem nas redes sociais digitais! A cruz florida abraça-nos no imenso compasso peregrinante de Páscoa. Cristo ressuscitou! Aleluia! Aleluia!
+ José Manuel Cordeiro
Arcebispo Metropolita de Braga
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