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CMAB | Braga| 5 Out 2018
Irmão Gabriel, O Bom Samaritano Passionista
Pe. Porfírio Sá, passionista (Companheiro de Missão do Ir. Gabriel)
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O Ir. Gabriel era natural de Durrães, concelho de Barcelos, onde nasceu a 2.09.1946, de uma família numerosa, de quem recebeu uma esmerada formação cristã, como era de esperar numa aldeia minhota do tempo.

A sua primeira experiência vocacional foi o contacto com o Seminário do Verbo Divino, na Costa, Guimarães, onde esteve e aprovou o 2º ano dos liceus. Inconformado, porém, com o desfecho um tanto-quanto precipitado dessa experiência, procurou, praticamente fora de portas, outra Congregação que o acolheu como seu membro. Isso aconteceu no ano 1962 no Seminário Passionista de Barroselas (Viana do Castelo), onde fez o respetivo Postulantado, Noviciado e Profissão religiosa no ano 1964. Analisados os prós e contras de enveredar por uma possível formação para o sacerdócio, optou por entregar-se à Congregação como Irmão Auxiliar.

De compleição física forte e robusta, logo desde o início mostrou um semblante de um jovem bonacheirão, com uma grande capacidade para criar boa disposição e até hilaridade junto daqueles que o rodeavam. Um ótimo companheiro de viagem, a criar sempre a melhor disposição e otimismo nas comunidades por onde passou.

Conheci pessoalmente o Ir. Gabriel já recém-professo, em 1967, na comunidade de Barroselas onde exercia as funções domésticas de cozinheiro, embora, desde muito cedo, se dedicasse a muitas outras tarefas atinentes ao seu estado de Irmão, assim como a outras de caráter artístico para as quais mostrou muito cedo uma apetência especial e que se viriam a revelar cada vez mais aperfeiçoadas com o decorrer dos anos.

Encontrei-o, depois, em 1970, na comunidade de Santa Maria da Feira, e com ele convivi até ao ano 1978, onde ambos trabalhamos ao serviço do Seminário. E foi aqui onde o Ir. Gabriel se começou a revelar não só um exímio cozinheiro como também um amante da natureza, tirando partido do trabalho do campo para dele extrair os mais diversos objetos que ia transformando em verdadeiras obras de arte, com pouco mais que um canivete de bolso. Embora não diretamente, mostrou-se também um grande colaborador e animador na formação dos seminaristas com quem se relacionava como uma verdadeira mãe e amigo. A sua personalidade multifacetada levou-o, inclusivamente, a fundar e a ser o ensaiador responsável de um rancho folclórico constituído por pessoas das redondezas. Tudo isto só caberia na cabeça de uma figura verdadeiramente polivalente e audaciosa.

Após um pequeno interregno, voltámo-nos a encontrar e a integrar a mesma comunidade religiosa no ano 1981, novamente no Seminário de Santa Maria da Feira, até ao ano 1985, quando ao Ir. Gabriel foi entregue a difícil e delicada missão de preparar as estruturas para albergar uma nova comunidade passionista em Linda-a-Velha. Embora sozinho, não deixava de aproveitar todos os momentos vagos que podia para dar continuidade a uma obra artística de entalhe.

Mas, foi a partir de Novembro de 1991 que a figura do Ir. Gabriel mais se agigantou, dando vida e ação à sua mais antiga e genuína vocação missionária, oferecendo-se como voluntário para a Missão Católica de Quimbele, na Diocese de Uíje, em Angola, sendo acompanhado, inicialmente, pelo Pe. Albino Carneiro e, a partir de 1994, por mim próprio.

Como companheiro de comunidade do Ir. Gabriel, posso, com toda a verdade, testemunhar que a sua estadia naquela Missão que teve o seu termo em Abril de 1997, quando o cancro do estômago o estava já a minar irremediavelmente, obrigando-o a regressar de emergência a Portugal – foi a de um verdadeiro samaritano que viveu numa entrega total e incondicional aos mais pobres da terra. A sua passagem por aquela terra foi uma bênção, não só para aqueles a quem se entregou de alma e coração, mas também para os seus companheiros de comunidade, para os quais foi sempre, sem qualquer sombra de dúvida, o maior animador e transmissor de confiança e perseverança, um consistente pilar sobre o qual se procurou construir uma comunidade cristã, humana e religiosa, que muito dificilmente se imaginaria nos seus começos. Com o Ir. Gabriel não havia tristeza, para todos tinha um sorriso, uma palavra de ânimo, de conforto e boa disposição. Com ele ao lado, não havia problemas que não fossem resolvidos, não havia doenças e feridas a que ele não desse a melhor resposta possível, não havia fome que não fosse minimamente colmatada… Na verdade, para tudo ele encontrava solução, a quem lhe pedia um conselho nunca lhe faltava a discrição e a prudência, para que pudesse trilhar os melhores caminhos.

Infelizmente, a doença que o acometeu no auge da sua atividade, seguida do seu falecimento, exatamente no dia do seu 51º aniversário natalício, 2.09.1997, troncou-lhe todas as suas aspirações e projetos, achando o Senhor que o seu servo já tinha feito o que devia.

Artigo publicado no Jornal Diário do Minho de 05 de outubro de 2018.

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