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17 Mar 2020
Terça-feira da III Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Há dias recebi uma mensagem que me dizia mais ou menos o seguinte: Os vírus são contagiosos, assim como o pânico, o medo, a histeria, a tristeza, as murmurações, as criticas negativas. Mas também a paz, o amor, o entusiasmo, a bondade, a alegria, a sinceridade, a transparência, a verdade o são e com mais ressonância.

Creio que nenhum de nós duvida da verdade desta afirmação. Só que importa escolher o caminho e verificar como queremos contagiar. Há vírus que geram a morte e outros valores que oferecem o verdadeiro significado da vida. O que queremos escolher? 

Pessoalmente não tenho dúvidas. Sei que é mais fácil andar por caminhos que todos percorrem e com este argumento de querermos ser iguais aos outros. Penso, porém, que temos de ser diferentes e aceitar este estatuto como algo que nos diferencia e mostra a originalidade de ser cristão. Há que não devemos percorrer e outras estradas que ousadamente deveremos aceitar como percurso de quem segue o exemplo de Cristo que quis ir contra corrente.

Se nos encontramos em tempo de crise, teremos de olhar para a história e extrair dela as lições e mostrar um rosto de sociedade a testemunhar a paz. Muitos nossos antepassados foram fiéis a estes ideais sublimes. O sacrifício foi sempre grande e não foi fácil percorrer caminhos de autenticidade e verdade.

A primeira leitura dizia-nos que Israel, naquela época, tornou-se o mais pequeno de todos os povos. Mesmo nesta situação não quis que Deus os abandonasse e que anulasse a sua aliança. Foram fiéis aos valores e princípios que Deus lhe ia propondo.

O evangelho coloca diante de nós um desafio mais urgente e actual. Trata-se do perdão como realidade presente nas nossas vidas individuais e dos diversos grupos da sociedade.

Sabemos que há pessoas que não se falam e nem sequer se querem ver. Há grupos ou instituições que cortam as relações com os familiares. Há coisas que se guardam e não se esquecem. São coisas pequenas e coisas grandes. Existem entre pessoas vizinhas ou colegas de trabalho mas também entre familiares, entre irmãos, entre pais e filhos. Conservam-se durante a vida mágoas que deveriam ser ultrapassadas e há pessoas que morrem com azedumes e querelas que com um pouco de compreensão poderiam ser ultrapassadas.

Este momento leva-nos a considerar a vida como algo de muito débil. Não é preciso muita coisa para colocar em questão a vida. A insignificância de um vírus desmorona sonhos e projectos. Valerá a pena termos na nossa memória nomes de pessoas com as quais não nos entendemos?

Perdoar pode ser contagioso. Se houver alguém que dê o primeiro passo não faltarão outros que queiram imitar. Sabemos muito bem como é verdade. Dentro de nós queremos a reconciliação. Mas temos vergonha de a solicitar. Provoquemo-la. Vale a pena.

Se esta semana pensamos no dar, uma sugestão muito interessante pode passar por esta alegria de oferecer perdão. Não uma vez ou duas. Mas sempre. Quando permitimos que o pó se acumule sobre um móvel, passado pouco tempo não sabemos qual é a sua cor. Está tudo deturpado. O mesmo acontece com as pessoas. Quando colocamos uma pessoa de lado, não descortinamos tantas outras coisas positivas que nela existem. Valerá a pena conservar inimizades? Contagiemos os outros com o perdão. Contagiemos com com coisas positivas. Só elas fazem história no verdadeiro sentido da palavra.

Estamos em plena Quaresma. É uma Quaresma especial. Façamos jejum dos juízos e dos pensamentos negativos em relação aos outras. Apostemos na partilha da compreensão, da concórdia, do perdão, ainda que possa parecer que custa muito. Sei que as pessoas estão à espera que eu dê o primeiro passo. Vou perdoar. Não uma vez mas sempre que faça falta. A palavra que nos acompanha nesta semana do dar é a radicalidade. Não tenhamos medo. Os outros copiarão e também perdoarão.

Teremos comunidades cristãs reconciliados e um mundo de fraternidade.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

 

Introdução

As crianças são quem mais dificuldades terão de assumir atitudes responsáveis neste momento de isolamento forçado. Fechadas em casa, com facilidade chegam ao cansaço, levando os familiares à situação de quase exaustão.

Importa reflectir serenamente e inclusive aproveitar este momento para repensar o verdadeiro amor a oferecer-lhes. Estão habituados a que tudo gire à sua volta. Com a paciência de quem ama, deverão ser educadas para aceitar a vida como ela é. Nem sempre é possível fazer tudo o que se quer.

Rezemos para que as crianças ajudem os pais nesta convivência mais demorada e para que os pais saibam oferecer os carinhos oportunos dentro daquilo que é possível e necessário. Não é fácil. Importa um discernimento tranquilo. Que os pais aproveitem para conversar entre si sobre o que convém ou não oferecer. Estes momentos podem ser uma escola importante para o futuro.

 

Momento da paz

Hoje quero trazer à memória um comportamento que outrora alimentava a piedade pessoal. Refiro-me à comunhão espiritual. Nem sempre as pessoas estavam em condições de comungar o corpo eucarístico. Ou, depois de já terem comungado, sentiam que poderiam oferecer o desejo de voltar a comungar. Era este pensamento positivo que conduzia à união com Cristo na eucaristia, mesmo sem a comunhão corporal. 

A actual situação, de não se poder comungar por causa de não haver eucaristia, pode desenvolver este acto de piedade interior mas como verdadeira comunhão com Cristo. A vida será eucaristizada e os comportamentos podem ser diferentes. Saudemos espiritualmente aqueles a quem gostaríamos de ter ao nosso lado.

 

Despedida

Este tempo poderá conduzir-nos à revitalização de algumas tradições que foram desaparecendo. Com uma densidade espiritual, podem voltar ao quotidiano das nossas vidas.

Sabemos que os sinos determinavam muitos comportamentos na estruturação das comunidades. A vida das aldeias era conduzida por determinados convites à realização concreta de acções a serem vividas pessoalmente ou em conjunto familiar.

Uma das tradições perdidas é o toque dos sinos: as “trindades”. Normalmente tocavam de manhã para rezar as “Ave Marias”, ao meio dia para rezar as “Trindades” e à noite para recordar os mortos no interessantíssimo culto às almas. Havia uma oração apropriada. As pessoas que se recordem desta tradição, agradeço que me forneçam outros elementos.

Gostaria que sinos das nossas igrejas, capelas e ermidas tocassem às nove, treze e dezanove horas, batendo seis badaladas. Aos cristãos peço que elevem uma oração com um “Pai-nosso”, uma “Ave Maria” e um “Glória” em cada um destes momentos. Temos muito a fazer para prevenir esta pandemia. A oração é a melhor atitude.

Aos sacerdotes solicito que, pelos diversos meios de comunicação de que dispõem, elucidem as pessoas sobre esta devoção e mandem tocar os sinos.

 

 

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