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18 Mar 2020
Quarta-feira da III Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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É tempo de reflexão aquele que estamos a viver. Poderemos lamentar-nos da situação e revoltarmo-nos contra todas as restrições que voluntariamente deveremos aceitar. Pode não ser fácil, mas importa tornar este tempo fecundo. Ele poderá trazer muito de positivo. O céu continue a existir mesmo que só se vejam as nuvens.

Continuamos nesta semana, como “tempo para dar”, a interpretar a palavra radicalidade proposta para o programa quaresmal. A sociedade moderna habituou-nos, ou pretende habituar-nos, à superficialidade e mediocridade. Pensa-se que basta viver o momento presente, com aquilo que ele oferece. Não somos capazes de entender a vida como uma alegre aventura de compromissos objectivos.

Só percorremos caminhos já experimentados. É fácil deixar-se guiar pelas emoções daquilo que é agradável. Mas, como humanos, nunca nos poderemos resignar àquilo que sempre foi feito. Só com radicalidade de opções conseguiremos alcançar metas que encham a vida.

O Evangelho de hoje aponta o caminho dos mandamentos como algo a acolher e praticar e, em simultâneo, a ensinar aos outros para que também conheçam e pratiquem. Também a primeira leitura recordava que o Povo de Deus deveria escutar os preceitos para os conhecer e pôr em prática. São três movimentos. Escutar com o coração, entender com a inteligência e colocar em prática com a força da vontade. Verificamos que hoje se pretende relativizar tudo e, como tal, não dar assentimento a verdades que alguns pensam ser impostas. Os mandamentos obrigam e podem condicionar a liberdade pessoal. Em nome da liberdade, foge-se a este acolhimento interior para depois caminhar por onde apetece sem grandes referências. Falta um sentido e tudo parece andar à deriva.

Ninguém ignora que, no passado, o Cristianismo foi apresentado como um conjunto de normas e preceitos em detrimento de um encontro pessoal com Jesus Cristo. Durante muitos séculos a fé foi proposta como um código de obrigações e deveres, com muitas ameaças para quem não as aceitasse e não quisesse cumprir. O medo e o terror ditaram as sua ordens. Olhava-se mais para um sistema religioso e negligenciava-se o essencial. Hoje teremos de iniciar um caminho novo na certeza de que Cristo inaugurou um confronto com o legalismo do fariseísmo e do judaísmo.

O Papa Francisco sintetizou a missão da Igreja de um modo admirável quando disse. “A Igreja há-de levar a Jesus: este é o centro da Igreja, levar a Jesus. Se alguma vez sucedesse que a Igreja não levasse a Jesus, essa seria uma Igreja morta”. Podemos dar graças a Deus pelo facto da Igreja ter iniciado este processo de renovação apontando para o essencial. 

Hoje teremos de voltar a Jesus como os seus primeiros discípulos que poderam contactar pessoalmente, tocar com as suas mãos, experimentar a solicitude do seu amor. Trata-se de cada um se converter a Jesus, tornando a Igreja mais fiel à sua mensagem e ao seu projecto de Reino de Deus. Precisamos de concretizar este regresso a Jesus para readquirir a frescura original do seu evangelho, sem grandes interpretações ou descontos. O Evangelho aceita-se, acolhe-se e permite-se que seja ele a pautar os ritmos da vida quotidiana. Se não chegarmos aqui, o Cristianismo será sempre algo de muito triste e pouco sedutor. 

Há quem espere muitas mudanças na vida pastoral da Igreja para que ela seja moderna. Só com estas adaptações continuaremos sempre com um projecto sem incidência na sociedade. Quando este regresso e encontro com Cristo acontece, compreendemos verdadeiramente tudo o que o Evangelho possa exigir. Sabemos que este encerra sempre orientações muito concretas que teremos de seguir. A experiência do amor de Deus é a única explicação que nos faz compreender. 

Se no passado em primeiro lugar estavam as normas e deveres, hoje chegaremos a elas só depois de experimentar quanto Cristo nos ama. Compreendendo os preceitos e mandamentos, tiraremos a consequência de que o anúncio do Evangelho, o ensinar aos outros a cumprir-los, passa pelo testemunho daquilo que o amor nos fez compreender. Daqui nasce a radicalidade no encontro com Jesus. Trata-se de uma escolha como resposta a um amor que alguém nos ofereceu em primeiro lugar.

Que este tempo de quarentena nos conduza a descobrir, mesmo no meio de tantas interrogações, como é belo Deus Amor que nos ama com um amor incondicional e único. Há muito caminho a percorrer. Estamos em boa estrada. Retemperemos energias e não tenhamos medo da radicalidade.

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Hoje quero, de um modo muito particular, ter presente os idosos, as pessoas sozinhas e os doentes. Sei que para eles estes momentos serão mais complicados. Acredito na sua resiliência e capacidade de aceitação da vida como é e não só como gostaríamos que fosse. Pensando em vós, de um modo muito concreto, quero pedir aos familiares e vizinhos que, respeitando escrupulosamente as orientações sanitárias, não tenham medo de manifestar uma solidariedade efectiva que seja capaz de gerar e oferecer esperança. 

Aos idosos solicita a alegria de uma colaboração familiar para a alegria de passar bons momentos juntos. Há muita sabedoria a comunicar e muitas histórias familiares a partilhar. O tempo passará mais depressa e de um modo extremamente útil, sobretudo para as crianças que necessitam de aprender que a vida só se constroi verdadeiramente a partir da história.

Momento da paz

Quero olhar para as pessoas sozinhas. Muitos já se habituaram a viver desse modo. Só que hoje, com todos os cuidados profiláticos, não podemos permitir que se sintam abandonados. O isolamento não é solidão e esta, a existir, ter de ser preenchida. Aos familiares, amigos e vizinhos compete este dever de solicitude e presença. Com todos os cuidados necessários há sempre razões para oferecer alguma coisa ou procurar o que é necessário, para um telefonema a mostrar presença ou a oferecer os serviços. A caridade cristão é inventiva e nunca se cansa de estar presente. O meu abraço espiritual hoje é de muita solicitude e ternura. Longe quero estar perto dos idosos e sós para lhes gritar que o amor de Cristo nunca esmorece. Pode parecer que a solidão impõe as suas regras. O amor é muito maior. Neste tempo para dar, convido todos para esta experiência de sair de si para se encontrar com os outros

Despedida

Olhando para os idosos, doentes e pessoas sozinhas, quero pedir que continuemos a valorizar a fraternidade mesmo sem necessidade de contactos de proximidade. Ninguém deve ser marginalizado ou esquecido. Precisamos, por isso, de estar permanentemente atentos às pessoas vulneráveis. Somos responsáveis pelos nossos vizinhos e conhecidos. Saber como estão. Se precisam de alguma coisa. Um telefonema para conversar um pouco. Tudo isto são pequenas exigências do elementar amor cristão.

Podemos correr o risco de nos fecharmos na tranquilidade da nossa casa e negligenciar a atenção aos vizinhos conhecidos a viver na solidão. Sejamos Cireneu que alivia os sofrimentos e Samaritano que cura das feridas. E preciso cuidado, evitar a contaminação mas, a caridade e a compaixão não podem ser esquecidas.

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