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21 Mar 2020
Sábado da III Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Continuamos a nossa luta contra este inimigo que, de um modo imprevisto, se intrometeu nas nossas vidas. Continuamos a fechar as portas e sabemos que ele entra por insignificantes friestas. Por isso, não nos acomodaremos nem cruzaremos os braços. Como tenho dito muitas vezes, a hora é de esperança e será esta a acompanhar-nos sempre. Só que não nos podemos distrair.

Sabemos que o sábado é tradicionalmente, e como é bom recuperarmos as tradições dando-lhe muita actualidade e consistência, um dia dedicado a Nossa Senhora. Subamos os nossos montes e entremos no Santuário de N. S. do Sameiro, Senhora da Abadia, N. Sra. do Alívio, Senhora da Fé, Senhora do Viso, Senhora da Franqueira, Senhora Aparecida, Senhora da Saúde, Senhora do Carmo, Senhora da Penha, N. Senhora do Pilar, N. Senhora de Antime, ou qualquer outro Santuário de Nossa Senhora. Fixemos o nosso olhar nessas imagens que têm motivado a nossa fé e confiemos que, com Maria, tudo se irá ultrapassar. Pessoalmente olho de um modo muito particular para Santa Maria de Braga, padroeira da Arquidiocese que veneramos na nossa Sé Catedral. Aí coloco as 551 paróquias com todos os seus habitantes. Penso nos católicos mas não ignoro os que seguem outras religiões ou se dizem ateus ou agnósticos.

Partilho convosco um pequeno pensamento que me enviaram. É um convite à oração. Diz “As nossas mãos não podem tocar-se, nem os nossos braços abraçar-se. Mas os nossos joelhos podem dobrar-se”. É verdade! Temos uma força que mais ninguém tem. Acreditemos e continuemos a confiar em Deus. Que Maria nos sugira os cuidados a termos para não sermos contaminados e que acompanhe todos os profissionais de saúde para que continuem a ser solícitos na difícil tarefa de lutar contra a doença.

Precisamos de rezar e o Evangelho de hoje ensina-nos a entrarmos no santuário da oração com muita humildade. O fariseu e samaritano quiseram rezar. Um queria, na verdade, testemunhar o seu orgulho, pensando que a sua vida de cumprimento dos deveres religiosos lhe daria a certeza de ser atendido. O outro apenas mostrou a sua pequenez. O primeiro não foi ouvido e o segundo regressou a sua casa com a graça almejada. É esta atitude que nos dará a certeza de que seremos ouvidos, talvez não como desejaríamos mas, quem sabe, evitando outras proporções desta calamidade. Oseias dizia, na primeira leitura, “Se ele nos feriu, Ele nos curará. Se Ele nos atingiu com os seus golpes, Ele tratará as nossas feridas”. Nunca poderemos esquecer esta certeza. São já alguns os mortos e muitos os atingidos. Com a perseverança da oração, haveremos de sair menos magoados com as dores pessoais ou dos outros amigos ou desconhecidos. Todos nos interessam. Não são um número como por vezes querem fazer crer. Fazem parte de nós, nesta consciência de que somos um corpo e de que só sobreviremos se reforçarmos esta solidariedade entre nós.

Rezamos hoje e devemos rezar muitas mais vezes. Maria continua a ser a nossa padroeira e não esqueçamos que a história de Portugal esteve protegida pelo seu manto. É mãe que não nos abandona. A ela rezaremos com o terço. Ela o pediu em Fátima. Sabemos também que outrora era oração de todas as famílias que diariamente se encontravam para o rezar. Não poderemos voltar a esta interessantíssima oração? Pensemos. Se já o rezamos, coloquemos maior devoção e atenção; se ainda o não fazemos, comecemos. Não imaginam quantas graças poderemos receber.

Ouso, também, pedir que repensemos a nossa devoção a Nossa Senhora. É para rezar mas deve ser para imitar. Quero deixar uma meditação que marcou a minha vida. “Entrei na Igreja um dia e com o coração cheio de confidência perguntei-lhe: Porque quisestes ficar na terra, em todos os lugares da terra, na dulcíssima eucaristia, e não encontrastes um modo, Tu que és Deus, de trazer e deixar também Maria, a Mãe de todos nós, que peregrinamos? No silêncio parecia responder: Não a trouxe porque quero revê-la em ti. Ainda que não sejais imaculados, o meu amor vos virginizará”. E tu, vós, abrireis os braços e os corações de mães à humanidade que, como outrora, tem sede do seu Deus e de sua Mãe. A vós, suavizar as dores, as chagas, enxugará as lágrimas.Canta as ladainhas e procura espelhar-te nelas.”

Continuemos a pensar na importância da oração e na devoção a Nossa Senhora, invoquemo-la e sobretudo imitemo-la.

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Graças a Deus que podemos encontrar-nos mais uma vez. Espero que todos quantos nos seguem estejam protegidos do vírus e de qualquer suspeita. Juntos continuaremos a reflectir, no intuito de vivermos com alegria a vida e de a tornar útil aos outros, na construção de um mundo diferente e de uma Igreja renovada, como nos propusemos no nosso programa pastoral. Somos convidados a “Levantar-se para semear esperança. Esta semana, nas pegadas de Cristo que pediu à Samaritana que lhe desse água para beber, também nós queremos percorrer a estrada do dar. Não só não tendo receio de o fazer mas realizando tudo com radicalidade como verdadeiros profetas que sonham que algo de novo deverá acontecer, não só na evolução positiva da luta contra o vírus mas também na sociedade e na Igreja que queremos.

Hoje convido-vos a olhar para o mundo do trabalho. Se as interrogações chegaram a todo o lado, também o mundo laboral está envolvido de muitas dúvidas em relação ao futuro. Rezemos pelos trabalhadores e empresários, e a todos demos um pouco de alento. Urge interpretar tudo o que nos está a ser pedido. Não podemos perder a esperança.

Momento da paz

O mundo das fábricas e das oficinas, do comércio e das universidades parou. Paira no ar a perplexidade. Este é o momento para pensarmos que a paz é um bem essencial. A borrasca continua viva e queremos ganhar a luta contra esta epidemia. Os nossos gestos e atitudes são imprescindíveis. Os resultados virão depois. Importa agir mesmo sem ver muitos frutos imediatos.

Acreditemos que voltaremos a ter uma economia que nos proporcionará um nível de vida digno. Acreditemos que não voltaremos atrás. Os sacrifícios poderão ser muitos mas a nossa resiliência vai ser maior. Que o nosso abraço de hoje seja de alento para quem pensa que não poderá recuperar as suas empresas e de conforto para todos os trabalhadores, de modo a que ninguém perca o seu trabalho. Também aqui, só um verdadeiro jogo de solidariedade permitirá que avancemos quando as condições o permitirem. Um abraço de muito afecto a quem se encontra mais desanimado e talvez derrubado nos seus sonhos e projectos. Que cada um sinta o meu calor.

Despedida

Mais uma vez partimos para a vida. Espero que tenhamos sentido alguma tranquilidade nestes breves momentos de oração e de reflexão. Deixamos de estar em contacto através destes meios de comunicação. Importa, porém, que nos sintamos em rede para juntos irmos desatando os nós que a vida nos está a oferecer. Não nos detemos perante as dificuldades. O nosso trabalho poderá ser afastado dos lugares habituais e sem a presença dos amigos. Já cansados pela monotonia dos dias. Sintamo-nos bem perto uns dos outros e laboremos pela fraternidade e solidariedade. Estamos no mesmo barco e iremos navegar vencendo as intempéries. O dinheiro poderá ser menos e os rendimentos diminutos ou até talvez de deficit. Mas a vida voltará a sorrir. Não deixemos de comunicar uns com os outros. Se quiserem mandem-me mensagens que responderei. Não nos fechemos. Vejamos o positivo com serenidade.

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