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28 Mar 2020
Sábado da IV Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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O Evangelho de hoje mostra-nos uma situação, no meio de tantas outras que terão acontecido, onde as pessoas que não seguiam Cristo se mostraram perplexas quanto à sua identidade. Jesus Cristo fixava-se sempre nos locais por onde passava mas, ao mesmo tempo, criava sentimentos contraditórios: uns aderiam, outros rejeitavam e a outros ficava a dúvida. A sua passagem não deixava ficar os corações sem reacção. Os curiosos da cena evangélica reconhecem que nunca ninguém falou como este homem. Mas, depois, mostravam muitas interrogações com respostas parciais. Também houve lugar para o desacordo pois nem todos se deixaram tocar pelo fascínio que se exercia: realizava gestos milagrosos e expunha a doutrina como ninguém.

Nos tempos que correm, temos de trazer Cristo para a rua e para o debate público. Aceitamos e respeitamos as diferenças. Podemos encontrar-nos com agnósticos, ateus, indiferentes e gente que professa outras culturas e religiões. Precisamos de estabelecer pontes e entrar num diálogo que pode começar por ser cultural mas, depois, abrir os horizontes da espiritualidade e da religião. Podemos pensar que não estamos habilitados para estes confrontos ou debates com perspectivas diferentes. Não esqueçamos que a formação continua a ser a grande prioridade da Igreja. Não faltam recursos. Basta um pouco de organização da vida e querer dedicar um pouco de tempo à leitura ou reflexão.

Aqueles com quem teremos de dialogar podem ser familiares que deixaram a prática religiosa, amigos com quem nos encontramos com frequência ou pessoas ocasionais com as quais nos encontramos à mesa de um café, num almoço de casamento, num convívio com colegas de estudo. Quando menos esperamos, este dever de mostrar quem é Cristo para nós acontece e não podemos desperdiçar a oportunidade. Estávamos habituados a um mundo homogéneo. Hoje não é essa a realidade.

Para termos a serenidade nestes momentos, e não fugirmos à responsabilidade do diálogo sobre questões essenciais, teremos de nos propor um programa onde procuramos conhecer Jesus, na experiência de uma vida cristã mas também através da reflexão sobre as mais variadas doutrinas. No último retiro que tive, o bispo conferente deixou uma pequena ideia que guardei e que vou lembrando muitas vezes. Dizia ele que hoje necessitamos de uma “mística do horizonte”. Com mística queria dizer algo que sai do interior e que se concretiza num entusiasmo capaz de ultrapassar o comodismo ou dificuldades. É um calor interior que suscita comportamentos de perseverança e de alguma teimosia. Não são as dificuldades ou contratempos que desmotivam. É uma força que arrasta e conduz sempre para a frente. A segunda palavra “horizonte” diz-nos que nunca atingimos a meta final. Aprendemos a dizer que horizonte é uma linha que delimita um espaço mas que nunca se alcança. Pode parecer-nos que está por detrás de uma montanha. Mas, subindo a essa montanha, somos de novo desafiados por outras paisagens e perspectivas. O horizonte entusiasma a caminhar mas ele nunca é alcançado definitivamente.

É desta mística que os cristãos estão a precisar hoje. Aqui abordei a problemática do saber para poder responder. Mas este dinamismo pode ser levado a outras dimensões. A oração deveria ser norteada por esta mística, tal como a relação com os outros deveria ser interpretado pela mesma lógica.

Há dias lia que Newton descobriu a teoria da gravidade após um período de quarentena. Isolou-se de tudo e de todos para se concentrar na investigação que vinha fazendo. Os dias vão passando e não podemos permitir que o distanciamento social nos isole da vida. Não será que esta mística do horizonte poderá permanecer como desafio para um novo estilo de vida? Nada ficará na mesma. Teremos necessidade de ver a vida através de prismas diferentes. Já tínhamos vindo a falar não apenas de uma “época de mudanças” mas também de mudança de época. Ela vai acontecer. Nesta responsabilidade de colocar Cristo no diálogo com o mundo, pensemos que para que aconteça precisamos de conjugar a força do interior com horizontes alargados a mostrar um mundo diferente. A mística do horizonte pode ser sugestiva. Não há contactos pessoais mas temos muitos outros modos para o fazer.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Quase no fim de mais uma semana, consciente de que estou a falar mais para os cristãos de Braga, não desconsidero quem nos segue de outras coordenadas, em Portugal ou no estrangeiro. Espero que me desculpem e compreendam. Trata-se, somente, de olhar para quem está mais próximo e sobre os quais tenho uma responsabilidade particular. Também vós estais presentes nas minhas orações e espero que as reflexões possam ajudar na vivência da fé e no compromisso eclesial.

Olhando para o programa que delineamos para a Arquidiocese de Braga, esta semana deveria ter sido uma oportunidade para sublinhar que o cristão, na vivência da sua vocação, caminha pelo mundo e pela Igreja para “ver” com os olhos de Cristo. Olha, não para criticar, mas para o exercitar um profetismo marcado pela vontade de alterar muitas coisas. Não podemos ser pessimistas nem navegar na tristeza do que somos. Vivemos para a alegria de ser esta Igreja, na inquietação de aderir ao ideal de Cristo. Nesta eucaristia, vamos pensar no que Cristo significa para cada um. Precisamos de ter uma opinião muito clara.

Momento da paz

Queremos a paz. Lutamos por ela todos os dias. A paz não como simples ausência de guerra mas como verdadeira realização pessoal a proporcionar muita tranquilidade, serenidade, felicidade. Para isso usamos muitos meios e gastamos muitas energias. A descoberta de Cristo e a procura duma adesão pessoal estão a dizer-nos que sem Cristo nunca atingiremos o que procuramos. Ele está á porta e quer oferecer algo de imperecível. Basta abrir para que entre.

Neste momento penso nos cristãos que , em Cristo, encontraram a sua paz e felicidade. Saúdo-os de modo muito afetuoso. Só que gostaria de lhes pedir que olhem para fora e reconheçam que a sua paz pode ser ainda maior se ousarem partilhar a vida. O mundo necessita de pessoas que percorram os caminhos da sociedade e aí mostrem que há novos horizontes a descobrir. Fora, com os outros, tornamos a felicidade mais radical e profunda, procurando oferecer-lhes o segredo da nossa vida, Cristo.

Despedida

A eucaristia, como tenho dito muitas vezes, não se encerra. Daí a importância de partimos pelo mundo para mostrar o verdadeiro rosto de Cristo, não tendo medo de entrar em diálogo com aqueles que não concordam connosco ou têm outra visão da Igreja e do mundo. Anunciar é o nosso caminho. Não impomos nada a ninguém mas não desperdiçamos nenhuma oportunidade para propor. Talvez não convertamos ninguém, mas importa que saibam que há homens e mulheres que pensam de modo diferente. Acabemos com o nosso mutismo! Há áreas do saber humano onde Cristo deve chegar. Por intermédio de quem? Deus colocou-nos lá para mostrar o que poderia ser a sociedade se acontecesse um encontro com Cristo e com a sua mensagem. Sejamos audazes e não temerosos ou cristãos envergonhados.

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