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31 Mar 2020
Terça-feira da V Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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São frequentes os diálogos entre Cristo e os fariseus. Alguns pensavam que Jesus fosse mais um mestre entre tantos e gostavam de entrar em confronto com a novidade que Ele trazia. Mais uma vez, o Evangelho de hoje reproduz-nos um diálogo de grande interesse. Os fariseus procuravam ver Jesus numa simples perspectiva humana e este colocava as questões a outro nível. O objectivo fundamental era saber quem era, o que fazia e porque o fazia. 

Jesus, mesmo sabendo que à partida não seria entendido, não deixou de comunicar a Verdade. Apresentou-se como vindo de outro mundo e com uma mensagem diferente daquelas que circulavam. Ele é o enviado e quem O enviou é que lhe dá o conteúdo a transmitir. “Digo ao mundo o que ouvi do meu Pai”, afirmou Jesus. Comunica ao mundo apenas o que recebeu. A partir deste momento, iniciou-se um novo período na história da salvação. Jesus quer contar com outros, com espírito de enviados, para comunicar o que também eles receberam. 

Isto recorda-nos o que temos vivido nos últimos anos. Sentimos que a identidade cristã passa por ser discípulo de Cristo, acolhendo a sua missão. Queremos ser discípulos missionários. Esta é a nossa identidade. Ontem interrogávamo-nos sobre o que é ser cristão. Falámos do amor recebido mas também do amor que deve ser doado em permanente responsabilidade. Não deveria ser possível existir um cristão sem esta consciência missionária. É por isso que hoje quero recordar o que já ouvimos muitas vezes. A palavra do Papa é sempre muito elucidativa: “A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, um ornamento que posso colocar de lado, não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisto se manifesta a enfermeira autêntica, o professor autêntico, o político autêntico, aqueles que decidem, no mais íntimo do seu ser, estar com os outros e ser para os outros. Mas se uma pessoa coloca a tarefa de um lado e a vida privada do outro, tudo se torna cinzento e viverá continuamente à procura de reconhecimentos ou defendendo as suas próprias exigências. Deixará de ser povo” (E.G. 273). 

Sei que já ouvimos imensas vezes esta citação. Mas neste tempo mais desocupado, com a serenidade intelectual mais retemperada, mais sensíveis aos problemas que nos rodeiam, gostaria que hoje ficássemos com esta ideia. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. O que me pedirá concretamente? Os desafios são imensos e as necessidades mais do que muitas. Deus apela continuamente mas talvez estejamos a deixar passar as oportunidades. Ouvimos a voz e fazemos de conta que é para os outros, que nada nos diz respeito. A sociedade civil necessita de pessoas com sentido de missão e não carreirismo ou vontade de afirmação. Vamos trabalhando! Mas com que espírito? Também na Igreja, nas nossas comunidades, há tarefas que esperam por intérpretes. Aí são necessários não simples executores de tarefas mas pessoas genuinamente disponíveis para cumprir o que Deus nos vai pedindo, como o Evangelho solicitava.

Se temos de estar a tentos às solicitações que respondam às necessidades actuais, perante o realismo das circunstâncias actuais, teremos de começar a pensar no futuro. Precisamos de uma nova estratégia que nos permita encarar a novidade que esta pandemia vai trazer. As coisas não vão ficar na mesma. Não vamos poder repetir esquemas. Isto no mundo civil mas sobretudo na Igreja. Se temos falado muito da renovação inadiável, ela tem aqui um campo privilegiado de actuação: vamos ter de mudar hábitos, rotinas, ritmos, costumes, tradições… A Igreja está habituada a ser reactiva. Agora poderá e deverá ser proactiva. Urge começar a pensar na novidade e na criatividade. As mudanças vão ser estruturantes e não podemos esperar mais tempo. Tomemos a iniciativa e antecipemos os tempos. A mudança será inevitável. Sei que sou o primeiro, com arcebispo, a ter que pensar nisto. Mas o trabalho é de todos e só as sugestões de cada um permitirão uma resposta consistente. Que Deus nos permita compreender a graça deste momento. Não esperemos. Poderemos chegar tarde demais e perder o comboio da história.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Ontem deixei a pergunta sobre a identidade do cristão. Hoje, quero perguntar se o conseguiremos ser sem uma renovada consciência de missão. Vamos procurar abrir o nosso entendimento a um novo modo de ser Igreja. Rezemos por aqueles que já compreenderam a responsabilidade da missão e peçamos a Deus para que muitos outros, ao verificar o que verdadeiramente vai ficar desta experiência que estávamos a viver, acordem e sintam alegria em dar tempo e energias à causa do Reino.

Momento da paz

A paz não reside no não fazer nada. Acontece com a alegria de ter correspondido ao chamamento de Cristo para construir um mundo novo e uma Igreja renovada. Como são tranquilizadores os momentos de quem sabe que cumpriu os seus deveres. A gratuidade dá uma paz que nem sempre queremos experimentar. Despertemos para esta responsabilidade e vejamos que muita coisa pode mudar se cada um quiser.

Despedida

Deixo um convite a que comecemos a pensar no futuro. Isto não significa alhear-se do presente mas apenas solicita que tomemos consciência de que nada vai ficar igual. Não somos videntes. Podemos antecipar algumas realidades. Vamos vendo que muita coisa está a cair e outra continuará. Vejamos o que permanecerá e juntos comecemos a elaborar uma estratégia nova. Pensemos um pouco. Se todos os dias peço um compromisso, também hoje agradeço que, agora ou depois, mostrem o seu pensar sobre aquilo que deverá ser a Arquidiocese. Há coisas essenciais que precisamos de começar a discernir e só encontraremos o rumo certo para o futuro de um modo sinodal.

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