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1 Abr 2020
Quarta-feira da V Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Continuo com a preocupação de deixar um tema por dia. Interessa-me que seja motivo de reflexão durante a eucaristia mas também uma proposta para reflexão e aprofundamento no futuro. Recordam-se que, na semana passada, falávamos da necessidade de crescermos no conhecimento da fé cristã para uma maior vivência da própria fé. Esta semana queremos reconhecer a importância de acreditar e, para isso, temos de saber em que podemos acreditar. Hoje digo, com toda a clareza e espontaneidade, que precisamos de acreditar na Palavra de Deus. Sabemos que o mundo moderno é pródigo em palavras. Somos invadidos por mensagens, algumas oportunas e a que devemos prestar atenção, mas outras, nada convenientes, devem ser rejeitadas. É neste areópago das palavras que teremos de dar à Palavra de Deus o estatuto central na atenção que lhe devemos prestar.

Na Evangelho, Jesus dizia aos judeus que tinham acreditado n’Ele: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Sem tempo para equívocos, Jesus afirma que somos discípulos quando permanecemos na Palavra. É ela que aquilata a nossa adesão a Cristo. Porque estamos unidos a Cristo, devemos acolher com radicalidade a Sua Palavra. Não temos outro caminho para mostrar que somos discípulos. É muito fácil fazer estas afirmações mas é isto que interiormente nos move? Quando permanecemos na Palavra, para além de sermos discípulos, estamos na verdade. E como é importante esta convicção neste tempo que gera tantas escravaturas. A verdade está na Palavra, que é capaz de iluminar todas as realidades da vida e mostrar qual o caminho a percorrer com tantos cruzamentos de estradas que nos são propostas. E, como consequência deste processo, somos livres e não escravos de uma doutrina. Olhando para a importância da Palavra de Deus, conservemos sempre estes quatro aspectos, tão importantes para uma vida que se quer humana e humanizada. Permanecer na Palavra, ser Discípulo, garantir a liberdade e procurar a verdade.

Agora deixo mais três pormenores a partir da Carta Apostólica Apperuit illis, pela qual o Papa Francisco instituiu o Domingo da Palavra de Deus.

A Bíblia não é um simples livro que se lê e se entende como qualquer outro. Não esqueçamos que ela é tão mais compreensível quanto mais permitirmos que Cristo seja a sua chave de leitura e o exegeta. É Ele que nos introduz na Sagrada Escritura. Sabemos que é impossível compreendê-la em profundidade sem a Sua acção. Mas, ao mesmo tempo, só a Sagrada Escritura nos faz compreender todos os acontecimentos da missão de Jesus que estão relatados nos textos sagrados. Ele está presente na sua Palavra e faz com que a entendamos no verdadeiro significado que deve ter.

Este sentido de presença de Cristo na Palavra, conduz-nos a outra atitude que já o Concilio Vaticano II, na Constituição Dogmática Dei Verbum, sublinhou: “A Igreja venerou sempre as divinas escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da Palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo”. Palavra e Eucaristia são duas mesas com igual importância. Numa e noutra é servido o mesmo Cristo e é esta consciência que devemos ter. Alguém, sublinhando esta importância, dizia que assim como estamos atentos para que nenhum fragmento do Corpo de Cristo caia por terra, também não deveríamos permitir que nenhuma passagem da Sagrada Escritura caísse na terra do esquecimento ou do desprezo. Esta Palavra, como presença de Cristo, deve tornar-se Palavra de vida, ou seja, ser real nas mais variadas ocasiões ou oportunidades que a vida permite. Ela é, enquanto Palavra de Deus, o motor da vida do cristão.

Deixo ainda outra certeza que nos encoraja a ter um grande amor à Palavra para a viver em todos os dias e horas. É o Papa Francisco que nos recorda: “No caminho da recepção da Palavra de Deus, acompanha-nos a Mãe do Senhor, reconhecida como bem-aventurada por ter acreditado no cumprimento daquilo que Lhe dissera o Senhor. É bem aventurada justamente porque guarda a Palavra de Deus, não porque n’Ela o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Maria foi a Palavra de Deus vivida. A nossa devoção mariana leva-nos também, por isso, a viver da Palavra.

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Mais uma vez reunidos. Queremos experimentar a presença de Cristo entre nós mas sobretudo ouvir a sua Palavra com um coração livre e aberto. Hoje rezemos por aqueles que na Igreja comunicam a Palavra de Deus na catequese, na liturgia, no anúncio. Que sejam um verdadeiro instrumento por onde Cristo passa. Oferecem a sua voz mas a Palavra deve ser de Deus.

Momento da paz

Queremos a paz. Os tempos são conturbados e chegam-nos muitas notícias. Hoje, infelizmente, tristes e alarmantes. Aumenta o número dos mortos e dos infectados. Onde poderemos encontrar um pouco de consolação? A Palavra de Deus foi sempre coragem nos momentos difíceis e suporte nas adversidades. Quantos santos encontraram nela a verdadeira luz para entender muita coisa. Na presença de Jesus eucaristia, reconheçamos que Cristo Palavra é a nossa paz.

Despedida

No final desta eucaristia, poderemos, porventura, interrogar-nos sobre o que fazer para colocar a Palavra de Deus no centro da nossa vida. A leitura assídua é uma proposta a que ninguém, como discípulo de Cristo, pode desvalorizar. Mas ela compreende-se com Jesus e Jesus está presente no grupo, na comunidade. Deixo por isso a proposta, feita em ordem à renovação da igreja diocesana, dos “Grupos Semeadores da Esperança”. Não vou alongar-me aqui em explicações. Encontrem um grupo – quando esta situação excepcional passar – não muito grande, disponibilizem-se para reunir uma vez por mês, nas vossas casas. Nós temos os subsídios e os vossos párocos saberão orientar-vos.

Partamos com a consciência renovada de darmos à Palavra de Deus mais tempo e atenção.

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