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3 Abr 2020
Sexta-feira da V Semana da Quaresma
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Aproximamo-nos da Semana Santa. Esta Sexta-feira da Quaresma introduz-nos, desde já, no horizonte da Paixão e Morte de Cristo. Continuamos no nosso ambiente de abstinência de tudo aquilo que possa contradizer o nosso estatuto de cristão. Reconhecemos a necessidade de conversão. Queremos mudar a vida e acreditar que algo de novo pode e deve acontecer. As incoerências são muitas mas a vontade de mudar deve ser superior.

Então, nesta Sexta-feira, coloquemos o nosso olhar na cruz de Cristo. Não podemos ter medo, mas também não devemos permitir que a cruz se seja um mero símbolo do cristianismo ou simples sinal decorativo, ainda que de material precioso. Podem alguns até dar-lhe um valor mágico, como se o seu uso os protegesse. Deixemos estas visões e caminhemos até ao Calvário. Revisitemos esse lugar intenso. Tudo é dramático mas a fidelidade de Cristo, à vontade redentora do Pai, diz-nos: Omnia vincit amor. O amor vence tudo! No Evangelho de hoje, começamos a ver as maquinações dos judeus para matar Cristo. Ele ainda escapa a esta perseguição. Chegará a hora da entrega. 

A cruz de Cristo, por aquilo que ela significa, é exemplar único. Não há outro salvador! Apenas Nele acreditamos. Mas essa mesma cruz está também presente no quotidiano das pessoas. Podemos tentar fugir e até esconder-nos num local onde nada de negativo possa aconteça. Não é possível! O humano vive marcado por esta visão de dor e de sofrimento. Não somos masoquistas. Debatemo-nos com a debilidade de tudo o que é humano e sentimos que não podemos fugir.

Perante esta realidade, teremos de nos habituar, de um modo consciente, a dar um nome a todas as dores para que elas não nos sofoquem. Nelas está presente o próprio Cristo que quis passar pelo abandono e assumir, qual esponja que tudo absorve, o sofrimento humano. Importa dar este nome a cada dor e, depois, dar um passo em frente, centrando-nos no desejo de caminhar no amor. São muitas as pedras que nos aparecem. Não podem deter os nossos passos. Devem tornar-se um trampolim para dar uma nova consistência à vida e avançar com nova energia. Sim. É verdade! Em cada dor está Cristo. Aceitemos com serenidade essas visitas e avancemos para uma entrega ao que é fundamental na vida humana.

Sabemos que é fácil ser um herói casual, herói por um momento ou numa circunstância fugaz. Mas, ser herói todos os dias, calvário após calvário, espera após espera, dor após dor sem desanimar, poucos o conseguem. Importa treinar. É isto que Cristo nos pede: a arte da perseverança, isto é, a arte de viver o Evangelho diariamente sem ceder à tentação do cansaço, do desistir, da falta de motivação. Quando queremos unir as nossas dores às de Cristo no Calvário, experimentamos uma companhia que vence todas as contrariedades. Sozinhos poderemos caminhar mais rápido, com Cristo vamos mais longe.

É grande o valor da cruz amada e abraçada com determinação. Dela saem quatro raios que iluminam as realidades mais sombrias. Dela surge a força para uma sociedade nova na qual as pessoas passam da periferia do amor para o centro do que ele significa, para uma nova identidade onde se privilegiam os mais fracos, os mais débeis, os descartados, os abandonados, os mais pequeninos, colocando-os no centro de um mundo que deve nascer, uma força para uma nova religião onde, de um modo inequívoco, se prefere a caridade e se faz com que esta influencie o que é fundamental. É a força para uma nova identidade divina onde poderemos compreender, em autenticidade e verdade, quem é Deus. O seu rosto, autêntico, só se descobre através do amor. 

Neste momento de tantas interrogações, convido-vos a recolher as leituras que a cruz e o monte Calvário nos oferecem. Haverá sempre duas perspectivas inevitáveis. De um lado, a dor e o sofrimento, o incompreensível e o temor; do outro tudo, o que acontece quando nos oferecemos e nos colocamos novamente no essencial: fazer da vida uma experiência de amor a doar aos outros.


† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Nesta Sexta-feira convido-vos a olhar para a vida como um suceder de dores e de sofrimentos. O momento presente é sinal disso mesmo, mas o nosso dia-a-dia mostra-o com maior evidência. Não precisamos de procurar muito. O sofrimento acompanha-nos e, uma parte dele, é provocado pelos outros. Mas não será que, também nós, de algum modo, contribuímos para este mal colectivo? A cruz de Cristo dá-nos algumas pistas. Preparemo-nos e que o Espírito nos ilumine. Nele encontraremos as explicações que procuramos e faremos a experiência da serenidade que a fé nos oferece.

Momento da paz

As dores e os sofrimentos retiram-nos, muitas vezes, a paz. Quando colocamos amor, vemos que tudo se aligeira e parece custar muito menos. Uma mãe que dá à luz sofre mas depois a dor encontra um sentido. Da nossa parte, quando nos tornamos cireneus e ousamos pegar nas cruzes dos outros, o sofrimento é melhor superado. E, quando somos capazes de oferecer a dor, mesmo avançando no meio do que parece um inferno, sentimos a paz. Ousemos abraçar a cruz e pegar nas cruzes dos outros. Nela encontraremos a paz.

Despedida

Quero assumir uma proposta que circula nas redes sociais. Trata-se fazer um convite a que cada família, agora com mais tempo, construa uma cruz para a colocar em lugar visível no centro da casa. Deveria estar pronta no início da Semana Santa ou na Quinta-feira. Os filhos, mesmo sendo pequenos, podem dar uma ajudar. Construir é pensar no valor que ela comporta. Depois, esta cruz pode ser decorada com flores, tornando-se uma cruz florida que no Sábado Santo é colocada na janela, sendo iluminada por uma ou várias velas a recordar-nos o baptismo. Queremos que a Páscoa seja esta cruz florida. Depois acrescentaria outra ideia. No Natal pedi que colocássemos o presépio nos jardins. Não poderíamos construir uma cruz maior, também florida, para a colocar nos nossos jardins, anunciando que a Páscoa vai ser diferente? Esta é a hora dos artistas da criatividade. Envie-nos fotografias. Veremos o que fazer com elas. Obrigado!

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