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7 Abr 2020
Terça-feira da Semana Santa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Mergulhados em plena Semana Santa, não podemos afastar-nos da Paixão e Morte do Senhor. As leituras relatam-nos tudo o que aconteceu. O Evangelho mostra-nos o envolvimento que os apóstolos tiveram nos dias anteriores. Judas assume o protagonismo de abandonar o convívio com os doze para ir negociar a venda de Cristo, que o conduzirá inevitavelmente à morte. Pedro manifesta a vontade de seguir até ao fim, mas Cristo alerta-o para a infidelidade que manchará a sua vida. 

Esta descrição do envolvimento de vários apóstolos diz-nos que a história mostra que a paixão de Cristo não foi uma questão de alguns momentos mas antes se repetiu em tantos contra testemunhos e negações dos valores evangélicos. Não podemos ter vergonha de reconhecer certas páginas da história que mostram o quanto a Igreja se afastou do caminho traçado pelo seu Mestre. Nos momentos que antecederam a paixão, temos a cena maravilhosa do lava-pés a indicar o caminho que a Igreja deve percorrer. “Como eu fiz, fazei vós também”. O percurso deveria ser de serviço e entrega à Humanidade. Muitas vezes foi mais de aproveitamento do que de dedicação incondicional. Repito. Não nos podemos envergonhar. Mas, ao mesmo tempo, não podemos hoje enveredar por uma certa corrente da opinião pública que não quer reconhecer o bem que a Igreja realizou e que ainda hoje continua a realizar. Não nos envaidecemos mas temos de ser honestos e reconhecer o bem realizado. O reconhecimento é um trampolim para avançarmos para novas iniciativas. A paixão de Cristo diz-nos que ainda hoje Ele continua a sofrer em inúmeras situações e que nunca nos poderemos contentar com o trabalho realizado.

No meio de tantas situações dramáticas da nossa sociedade a pedir uma presença activa da Igreja, olho para os diversos fenómenos da pobreza que continuam a oferecer-nos muitos e complexos rostos. Ainda há dias o Santo Padre afirmava, e nós podemos confirmá-lo com a nossa experiência, que existe fome num mundo que se diz evoluído. Fruto, em grande parte, do desemprego, que estava a desaparecer, e que agora volta a ameaçar com maior força. A carência dos bens essenciais marcam o quotidiano das nossas famílias. Não posso esquecer o fenómeno da violência doméstica com muitas expressões de crueldade que nem sempre se imagina. Os conflitos são frequentes, o diálogo e a falta da aceitação das diferenças nem sempre existe e sofre-se imenso dentro do segredo das nossas casas. Com famílias desestruturadas, os filhos são abandonados e não encontram espaços familiares para crescerem num harmonioso desenvolvimento das suas personalidades. O mundo das diferentes deficiências também não encontra o acolhimento para uma vida com o equilíbrio possível.

Falo destas chagas da sociedade hodierna que prolongam no tempo a paixão de Cristo. É aqui que a Igreja tem realizado um trabalho de inquestionável valia que devemos reconhecer e sublinhar. A sociedade é mais humana porque existem estruturas e pessoas que quotidianamente continuam a fazer o que Cristo fez. Tecem-se histórias heróicas todos os dias em tantos lugares e circunstâncias. Algumas intervenções são visíveis. Muitas outras estão marcadas pelo anonimato generoso. Todos os dias se retoma esta aventura sem esmorecer ou cansar. Na primeira leitura, refere-se que Isaías acreditava que se cansou inutilmente, em vão, e que por nada tinha gasto as suas forças. Mas prosseguiu sempre na fidelidade de bem fazer.

Estas histórias de verdadeiro amor são interpretadas por tantos pessoas cujos nomes não passarão à história feita pelos homens. São muitas e de todas as condições sociais. Numa Semana Santa, que quero  que seja de gratidão, convido todos quantos nos seguem nesta celebração a dar graças e a dizer um grande obrigado a quem nas conferências vicentinas vai ao encontro da pobreza e a tantos pobres oferecem o indispensável. Agradeçamos aos que estão à frente de tantas instituições e proporcionam às crianças e aos jovens condições para que possam sonhar com um futuro melhor. Peço, ainda, que comigo testemunheis uma sincera gratidão a quem trabalha nos Centros Sociais e nos Lares. Talvez agora alguns olhem para eles julgando o seu trabalho. Mas sabemos que são uma rectaguarda para as famílias, que a todos oferecem carinho e qualidade de vida.

Como Igreja que continua a história da paixão de Cristo, tomemos consciência do bem que, por vezes, a sociedade teima em esquecer. Eu sinto-me no dever de expressar gratidão a quem continua a construir estas histórias. A todos, por causa de Cristo que morreu por nós, eu digo: muito obrigado!


† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

Ainda persistem situações de vida indigna. Nem todos gozam a dignidade para a qual foram criados por Cristo. Há carências e necessidades de vária ordem. A sociedade não é igual. É no meio deste mundo de necessidades que a Igreja escreve as suas melhores páginas. Não nos exibimos. “Não saiba a mão esquerda o que fez a direita”. Mas não podemos ignorar tantos intérpretes da bondade e do amor. Agradeçamos pelo bem que a Igreja continua a fazer.

Momento da paz

Persistem situações na sociedade que nos tiram a paz. Por vezes não queremos saber. São várias as instituições da Igreja que sujam as mãos com as misérias de muitos pobres e indigentes. Aos artífices da caridade no dia-a-dia da vida eclesial, testemunhemos que lhes queremos bem. Podem ouvir bem alto o nosso obrigado.

Despedida

Continuemos a acompanhar o que acontece no mundo social. Não podemos pensar que só os outros são responsáveis. Há direcções e muitos trabalhadores a realizarem alguns milagres. Peço-lhes que não desanimem. Não tenho dúvida que o farão. O seu trabalho nunca foi fácil. Hoje muito menos. Elas são a mais valia que garante a qualidade de vida de idosos e crianças. Sabemos, também, as dificuldades económicas por que passam estes centros. Espera-se que este problema seja devidamente solucionado. Sem um bom funcionamento destes Centros, a solidariedade não existirá. Vejamos todos o que poderemos fazer por eles.

Neste ambiente de procura das melhores soluções contra esta pandemia, ouvem-se, por vezes, algumas vozes questionando o que a Igreja está a fazer. Não trabalhamos para as páginas dos jornais. Mas, em nome da verdade, a Arquidiocese de Braga está, de alma e coração, a oferecer respostas muito concretas. Basta a preocupação para que todos os Centros Sociais estejam a corresponder às necessidades. Não é fácil ter um Lar de Idosos a funcionar nestas condições.

Criamos uma bolsa de recursos humanos, disponibilizámos um hotel e outros espaços para acolher trabalhadores, estamos a intensificar as ajudas feitas pelo Fundo Partilhar com Esperança. As Conferências Vicentinas são uma presença juntos dos pobres e dos sozinhos, a Cooperativa João Paulo II está a preparar refeições para muitas instituições e pessoas, a Caritas tem alargado o seu âmbito de acção fornecendo mais refeições e respondendo a necessidades primárias. Criamos a linha “Um ouvido com coração”, onde cinco sacerdotes escutam pessoas em situação de sofrimento. Podemos e queremos fazer muito mais, mas Deus seja louvado.

Intenções

Vicente José da Silva Quintas, S. Victor, Braga;

António Fernando Fernandes, S. Romão de Mesão Frio, Guimarães e Vizela;

Maria Carolina da Conceição Fernandes Rebouta, funeral hoje às 16h, Ferreiros, Braga;

José Manuel Noversa Gonçalves, Ferreiros, Braga.

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