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8 Abr 2020
Quarta-feira da Semana Santa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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O Evangelho continua a descrever, na narrativa de Mateus, o gesto de Judas. Preparou tudo muito bem para entregar Jesus. A morte talvez acontecesse de qualquer modo. Mas tudo teve início em alguém com quem conviveu, que ouviu a Sua doutrina e partilhou momentos de intimidade. Parece mentira! Mesmo fazendo o exercício de nos abstermos de julgar ou condenar as pessoas, esta traição a Jesus coloca-nos no centro da maldade humana e nos dolorosos dias da Sua paixão. Paixão enquadrada num tempo determinado mas que sabemos perpetuarmos por toda a Sua vida. Esta foi uma verdadeira paixão pela Humanidade. Seguindo estas pegadas, vamos, mais uma vez, e seguindo o que Isaías nos aponta na Primeira Leitura, falar como discípulos, levando palavras de alento a quem anda abatido. Ontem recordávamos a história da Igreja, rica de coisas extraordinárias. Hoje avancemos um pouco mais e reconheçamos que a obra de fazer o bem continua inacabada e que a Paixão de Cristo nos arrasta para novas aventuras e iniciativas.

Sabemos que a Igreja quis reflectir sobre a sua identidade no Concílio Vaticano II. Há quem deseje um novo concílio. Penso que devemos dar corpo a todas as suas orientações. Trago à nossa consideração o que é afirmado na Constituição sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo. São palavras sobejamente conhecidas mas não suficientemente assimiladas e muito menos postas em prática. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias, as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração. Eles são, com efeito, uma comunidade de homens unidos em Cristo, dirigidos pelo Espírito Santo na sua peregrinação para o Reino do Pai e portadores de uma mensagem de salvação que devem comunicar a todos. É, por isso, que a comunidade dos cristãos se reconhece real e intimamente solidária do género humano e da sua história”.

Na escola de Cristo nunca poderemos esquecer que tudo o que é humano nos interessa e que, por isso, o caminho da Igreja não é traçado por si mas pelas situações concretas em que a Humanidade se encontra. Sei que muitas vezes só nos deixamos orientar pelos nossos pensamentos e doutrinas abstractas e desligadas dos problemas que verdadeiramente afectam a Humanidade. E, por isso, vamos caminhando por estradas paralelas. O ser humano por um lado e a Igreja por outro.

Quem poderá colocar a Igreja nos caminhos do Homem? Só os leigos, que possuem uma graça especial para que isso aconteça. Se temos falado da necessidade de uma adesão pessoal a Cristo. Esta proximidade é o princípio que fermenta todas as realidades terrestres. Penso que temos muito poucas pessoas com esta consciência e responsabilidade. Quem dera que esta paragem forçada levasse muitos cristãos a não terem vergonha da sua identidade quando estão em determinados lugares. O fermento do Evangelho, com força para levedar a sociedade, está nas mãos de muitas pessoas que se dizem cristãs mas sem coragem de levar a fé a todos as realidades humanas.

Recordar a necessidade da presença da Igreja em tudo quanto é humano, reconhecendo que necessitamos de uma maior consciencialização por parte dos leigos, não me impede, ao mesmo tempo, de sublinhar a influência positiva da vida de muitos cristãos no mundo político e social. Temos de acordar para esta responsabilidade de mostrar que a Igreja é solidária com todos os dinamismos humanos. Tomemos consciência desta responsabilidade, que toca a cada um. O mundo pode ser diferente a partir do muito ou pouco que cada um poderá fazer. Mas não posso ignorar tantos fermentos espalhados por todos os sectores da sociedade. Sinto ser meu dever testemunhar gratidão e dizer um alto obrigado. Quantos cristãos temos nas instituições, da Igreja e não só, que permitem que a sociedade ainda conserve uma fisionomia cristã? Olho para muitas instituições, confrarias ou irmandades, Misericórdias e associações, e imagino o que seria o mundo sem esta plêiade de homens e mulheres. São muitos e bons, generosos e sacrificados, dedicados e desprendidos, que mostram como o Evangelho é motivador. Por tudo o que fazem para que a paixão de Cristo não seja tão expressiva e dramática, um grande obrigado!

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

Introdução

A paixão de Cristo continua viva na história. Não passou. Não é evento do passado. A Humanidade continua com tristezas e sem esperança. Fixemos hoje a nossa atenção na Humanidade que nos circunda e vejamos nela um campo aberto para a urgência de aí trabalhar para mostrar que muita coisa pode e deve ser diferente. Pensemos que muitos mais se poderiam empenhar no bem comum, mas demos graças por aqueles que já o fazem.

Momento da paz

A nossa felicidade depende daquilo que a sociedade nos oferece, mas ela é construída por todos e cada só. Sem compromisso individual na construção de um mundo novo, ele nunca acontecerá. O cristão deve entrar no emaranhado do tecido social e aí ir deixando sementes evangélicas. O resultado final será o bem de todos. Recordo os construtores da sociedade e não posso permitir que sejam só eles a mostra que é possível algo melhor. Que o abraço nos corresponsabilize na procura da paz para todos.

Despedida

Alguém escreveu. ”Lutar sempre, talvez vencer, nunca desistir”. Nesta Semana Maior, e nestes dias onde o cansaço pode querer tomar conta de nós, este pensamento diz-nos que a caminhada ainda não terminou. Importa lutar até ao fim. Pode parecer que são poucos os resultados. Que nada se vê. Algo novo acontecerá desde que nunca se desista. Vamos entrar no Tríduo Pascal. A viagem de Cristo foi dolorosa. Sabia que devia salvar e foi até ao fim. Continuemos com muita alegria e confiança. Acreditemos que a vitória estará do nosso lado e chegará.

Intenções

João Lourenço Dias, Maximinos, Braga;
Rui Coutinho, Maximinos, Braga.

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