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13 Abr 2020
Segunda-feira da Oitava da Páscoa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Maria Madalena e a outra Maria, depois de terem visto o sepulcro vazio, correram apressadamente para levar aos discípulos a notícia da Ressurreição. Obedeceram a uma ordem de Cristo. A alegria era grande e não a podiam reservar para si. S. Pedro, na primeira leitura, também fez idêntica experiência. Ergueu a voz e falou ao povo dizendo que Cristo ressuscitou da morte, infligida por aqueles que estavam a escutar Pedro, e agora vive. Foi Deus quem O ressuscitou e os apóstolos são testemunhas desta alegre notícia. Passou a dor. É a hora da festa da vida. A morte foi derrotada.

É nesta certeza que nos encontramos. Sabemos, por isso, que este é o dia que o Senhor fez para nós e que perante isto exultamos e cantamos de alegria. Somos discípulos da ressurreição. Seguimos não apenas uma personalidade histórica que recordamos pelos seus feitos milagrosos mas uma pessoa viva que cativa e seduz para uma grande e profunda comunhão.

Temos, por isso, que redescobrir a beleza do mistério pascal. Sabemos que a tradição do Ocidente sublinhou mais a primazia da cruz. Surgiram muitas devoções relacionadas com o sofrimento de Cristo, a Semana Santa adquiriu um dramatismo impressionante, sempre orientada para enaltecer o amor de Cristo, mas onde a dor ocupava um espaço demasiado grande. Pregava-se e insistia-se na paixão. As imagens cobriam-se de sangue e de sofrimento. Basta ver para o modo como tudo era celebrado. Ao passo que a tradição oriental se fixou sempre muito mais na alegria da ressurreição, sendo a sua liturgia muito mais alegre e festiva. Parecia-nos que o esplendor estava na cruz de Cristo e a ressurreição era celebrada com muito menos convicção. Hoje teremos de reconhecer a integridade do mistério pascal que abraça a morte e a ressurreição como duas realidades de um único momento. Aqui se concentram os dois extremos do mistério de Cristo, os momentos culminantes da sua missão salvadora e redentora. O crucificado está vivo. “Vede as minha mãos e os meus pés: sou eu mesmo. Tocai-me e vede: um espirito não tem carne e ossos, como podeis ver que eu tenho”. “Chega aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Estende a tua mão e mete-a no meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente”.

Temos necessidade de recuperar esta interpretação do mistério pascal. Somos um corpo só e testemunhas de Cristo vivo e operante. Não basta falar da ressurreição de Cristo se ela não se concretiza na nossa existência. Nos Seus ensinamentos, antes da paixão, Jesus falava muito sobre o discipulado. Somos chamados a segui-Lo. Depois da Páscoa, a tónica é colocado na missão, no anúncio. Com a cruz, o mundo ficou reconciliado. Agora, este mistério de reconciliação, através da comunhão com todos, é o anúncio que teremos de realizar. Somos discípulos da Páscoa, o que quer dizer que somos ministros do anúncio. Não podemos reservar para nós a alegria pascal. Ela deve chegar a todos os recantos da Terra. Trata-se de uma missão apaixonante quando verdadeiramente compreendida. A história da Igreja sempre o mostrou. Hoje, perante tantas negações da ressurreição, da presença de Cristo, ainda é muito mais apaixonante. Onde deveremos ir? Descubramos as situações de paixão, de sofrimento, em qualquer lugar e situação, dentro de casa e fora, na comunidade à qual pertencemos e noutros meios, no ambiente de trabalho ou de convívio, nas diversas realidades sociais. São situações a esperar que sejam transformadas em ressurreição, ou seja, ultrapassar a dor e o sofrimento.

Isto mostra-nos a realidade da Páscoa. Não foi um acontecimento estático. Encerra um dinamismo que importa descobrir. A Páscoa vai acontecendo sempre que se torna semente de um mundo mais humano e justo. Se Cristo esteve sepultado, isto significa que é como uma semente que tem de germinar em novas realidades.

A Páscoa não é um dia ou um tempo. É um espírito. Um impulso interior que nos faz ver todas as realidades que a cruz possa simbolizar e solicitar. Isto quis dizer, e continuo a recordar o que disse na minha mensagem para a Páscoa, que “a Páscoa dever ser feita de pequenas páscoas”. São gestos e sinais que importa desenterrar para que floresçam numa Humanidade que foi redimida por Cristo e que, por isso, terá de ser mais humana e, sobretudo, mais fraterna

Cristo ressuscitou! Ele está vivo e pede que trabalhemos o mundo para que seja uma verdadeira ante-câmara do paraíso a ser construído desde já.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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