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26 Abr 2020
III Domingo da Páscoa
Homilia no Paço Arquiepiscopal
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Neste Domingo, como em todos os outros, continuamos a viver a ressurreição de Cristo. O conhecido episódio dos discípulos de Emaús dá-nos uma preciosa ajuda. Aliás, ele acontece no contexto da Páscoa quando dois discípulos saíam de Jerusalém, derrotados e desanimados. A morte de Cristo retirou-lhes toda a esperança. Partiram rumo a outras experiências, mesmo não sabendo quais seriam. Pensavam que tinham perdido tempo com Jesus e já pensavam noutra vida. Jesus entra na caminhada e faz com que voltem não só a acreditar na ressurreição mas sobretudo a encontrarem-se com Ele. Muitas coisas aconteceram. O fundamental é que no caminho da sua vida voltaram a celebrar a alegria de um encontro vivo com o Senhor.

Também nós vamos realizando a nossa caminhada de fé e, para o fazermos, reconhecemos a importância de alguns elementos indispensáveis para o encontro. São essencialmente dois os descritos na passagem do Evangelho de hoje: as escrituras e a eucaristia. Jesus começa a conversar com eles sobre algo que tinha acontecido e, passado pouco tempo, já estava a falar de toda a história da salvação. Depois, aceitando o convite para ficar com eles, dá-se a conhecer ao partir do pão. 

Tenho vindo a falar da vida da primeira comunidade de Jerusalém. Ela, na sua vida diária, oferece-nos esses dois pilares, acrescentando-lhe mais dois: o ensinamento dos apóstolos, o partir do pão, a comunhão e a oração. Os primeiros cristãos sabiam que não tinham uma doutrina a inventar mas somente a necessidade de acolher de tudo quanto Jesus tinha transmitido. 

A Palavra tinha sempre uma grande centralidade e tudo girava em seu redor. Palavra que deveria ser transmitida, não através de grandes protagonismos pessoais mas essencialmente do testemunho que todos podem compreender. A Palavra conduzia a uma experiência de comunhão entre todos. Partilhavam-se os bens materiais e espirituais, testemunhando a fé que os animava. O ideal de ser uma coisa só com todos permanecia como um verdadeiro desafio que todos procuravam encarar com responsabilidade. O amor não era teórico mas manifestou-se em gestos concretos que continuam a estimular as comunidades nos dias de hoje. A Palavra acolhida na comunidade levava à eucaristia e à fracção do pão, que os primeiros cristãos colocavam no centro da vida do Domingo. Sabemos que inicialmente a eucaristia tinha a forma de uma refeição fraternal onde tudo era colocado em comum. 

Podemos dizer que a vida diária se orientava para este grande momento de encontro com Cristo que previamente exigia o encontro com os irmãos. Era encontro festivo, reconfortante, retemperador de energias e entusiasmava a testemunhar Cristo no meio de um ambiente adverso. O último pilar à volta do qual girava a vida das comunidades e dos cristãos era a oração. Podia acontecer a título individual mas acontecia também em comunidade. Penso sobretudo nas sinagogas (com os judeus) ou ainda nas casas particulares. Eram verdadeiras igrejas que congregavam a família para um momento de encontro com Cristo.

A nossa vida neste tempo de confinamento e de isolamento social está a proporcionar-nos mais tempo livre. Deveria ser aproveitado para rever o nosso estilo da vida mas também para dar importância ao que sempre foi feito. Poderemos revestir de novos elementos a nossa vida mas o essencial terá de ser sempre respeitado. O cristão não pode viver sem a Palavra, sem a comunhão humana, sem a eucaristia e sem a oração. O que exigirá cada um destes elementos à nossa vida? Onde estaremos a precisar de maior atenção? Mais tarde vamos dizer que temos muito pouco tempo. Não será que nos falta sentido de compromisso e preocupação por uma vida cristã autêntica? Há tempo para tudo. Esta pandemia veio mostrar isso mesmo. Aproveitemos para dar consistência a tudo o que deve marcar a vida. Há coisas que são essenciais. A vida deve estruturar-se a partir delas. Repito! Teremos de encontrar tempo para a Palavra, comunhão, eucaristia e oração.

Neste Domingo iniciamos a semana de oração pelas vocações. Sabemos que a Igreja necessita de vocações. Todas elas são importantes. Para o sacerdócio, para a vida religiosa masculina e feminina, para os institutos seculares, para a família. Importa, por isso, criar uma cultura vocacional a partir da oração, para que o chamamento de Cristo, que nunca falta, continue a ecoar no coração das pessoas, particularmente da juventude. Neste contexto, peço a cada um que se interrogue sobre aquilo que poderá fazer de um modo particular nesta semana de oração pelas vocações. O Santo Padre elaborou uma mensagem a partir do episódio da tempestade no lugar de Tiberíades. O mar agita-se, surge o medo e o temor. Por fim, Cristo grita: “não temais”. Coragem. É esta atitude positiva que importa ter. Retirar os medos e arriscar. Rezemos e criemos ambiente de resposta. Todos somos responsáveis por todas as vocações. 

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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