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30 Mai 2020
Vigília dos Movimentos
Homilia na Basílica dos Congregados.
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Viemos de um período de confinamento. Encerramo-nos nas nossas casas e reajustamos o ritmo normal da nossa vida. Aí fomos tomando consciência de que era necessário viver em atitudes defensivas perante um pequeno vírus que pode chegar a todos. Não foi experiência fácil. Na verdade, não fomos criados para estar fechados e viver com medo.

Estamos num período de desconfinamento onde lenta e gradualmente teremos de regressar à normalidade da vida sem deixar de ter todos os cuidados que a saúde pública exige. Na verdade, teremos de nos ir habituando a conviver com o vírus que persistirá como um adversário de quem nos temos de defender.

Estamos a celebrar a festa do Espírito Santo. Tomamos consciência do que é a Igreja. Somos discípulos que seguem Cristo com um estatuto bem definido pelo Evangelho. Sabemos o que devemos ser, se bem que reconhecemos que necessitamos de crescer numa formação que vá solidificando as razões da nossa fé. Ao tomarmos consciência do que somos, sabemos que a nossa vida se vive no meio do mundo. Não podemos ter medo nem vergonha de ser e de mostrar a nossa fé. Queremos ser coerentes e sabemos que sozinhos não o conseguiremos. Contamos com a ajuda do Espírito e reconhecemos, como nos propusemos para este dia, que estamos no mesmo barco. Do vírus sabemos que só nos libertaremos todos juntos. 

Como crentes acreditamos que somos Igreja e que é nesta consciência eclesial que ultrapassaremos todas as dificuldades. Ser Igreja não é acidental. Sem esta consciência não somos nós. No Pentecostes celebramos o nascimento da Igreja e somos convidados a pensar neste sentido de pertença. Somos um corpo com muitos órgãos e com funções diferentes. Somos uma coisa só.

Nesta Igreja queremos reavivar a missão que nos foi confiada. Como movimentos sabemos que os fundadores dos nossos movimentos ouviram a voz do Espírito e aceitarem uma tarefa muito concreta e explícita. Os movimentos são um carisma ao serviço da Igreja. Nasceram nela e estão ao serviço dela para que continue a ser presença de Cristo no meio dos homens. Membros dos movimentos, aceitamos ser protagonistas da obra evangelizadora. A defesa do vírus não está só em não fazer nada. Cada um assume tarefas muito concretas e do cumprimento deles pode depender a saúde de muitos. Pertencer a um movimento não pode ser sinónimo de contentar-se em participar tranquilamente nas reuniões, no aconchego de uma sala. A todos se exige um dinamismo exterior que se torna visível nas acções que vão acontecendo nos diversos ambientes do mundo. Todos os terrenos são campo de batalha onde agimos em nome de Cristo tornando publica a nossa fé e mostrando que o carisma que Deus nos concedeu nos interpela permanentemente. 

Parece que os movimentos se adaptaram um pouco às circunstâncias hostis e perderam a alegria de serem presença viva da Igreja no mundo. O Pentecostes fala-nos da criatividade de Deus no seio da história. O Espírito Santo está sempre a estimular-nos e a sugerir-nos que sejamos fecundos nas iniciativas e nas obras a partir da originalidade de tantos carismas e das características diferentes de cada um de nós. O mundo moderno vai-nos falando da indiferença. Outrora o ambiente ajudava a ser cristão com compromissos. Hoje é mais fácil ver a história correr, quando deveríamos ser artesãos da história. Esta indiferença generalizada, e talvez o ódio em alguns momentos, não pode nem deve intimidar-nos no nosso compromisso cristão. 

Devemos ter força para nos tornarmos porta-vozes da boa nova em todos os ambientes. Indo ao encontro de toda essa indiferença para ajudarmos muitos a encontrarem um sentido para a vida. Não basta que batam à nossa porta ou sede dos movimentos. Estamos a caminhar com todos os homens e devemos com eles tecer a aventura cristã.

Já ultrapassamos o período do confinamento. Não podemos estar fechados. Se os fundadores dos movimentos que receberam a graça dos carismas estivessem ao nosso lado reconheceriam em nós membros das obras a que deram vida? Os tempos são diferentes. Talvez mais difíceis. Mas o entusiasmo deve ser o mesmo.

O que espero de vós para a Igreja que peregrina nos espaços da Arquidiocese de Braga? Ide ao encontro do vosso carisma na sua força original. Vede nele a presença do Espírito que quer actuar na Igreja e na sociedade. Crescei na vossa fidelidade a esse carisma e saí para vos encontrardes com os problemas desta hora. São muitos e diversificados. Acolhei o que o Papa vai dizendo à Igreja e tende orgulho em ser desta Igreja particular, que tem uma longa história, mas que sabe que nada valem os tesouros alcançados se não continuarmos a ser geradores de vida nova. Há caminhos novos a percorrer. 

Parti sempre da oração. Que a Palavra de Deus vos inspire e entusiasme. Pegai na bandeira da unidade onde cada movimento tem o seu espaço mas onde só encontra a sua identidade quando cresce com todos os outros. Não somos barcos isolados. Estamos todos no mesmo barco. Que o mundo veja isso mesmo e que possa testemunhar a alegria com que vivemos o Evangelho. Quero ser um de vós. Ajudai-me a ser timoneiro.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

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