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19 Jun 2020
Homilia na Festa do Sagrado Coração de Jesus
Eucaristia na Sé Catedral no Dia de Oração pela Santificação dos Sacerdotes.
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Habitualmente, com a presença de todo o presbitério, celebramos a missa crismal onde os óleos são benzidos, em Quinta-feira Santa, e à luz de Cristo que lava os pés aos seus apóstolos. Com Ele somos convidados a coloca a toalha para servir e dar alento a quem necessita.

Este ano, na presença dos arciprestes, que representam todos os sacerdotes, colocamo-nos perante a realidade do Coração de Jesus trespassado pela lança do soldado e que se oferece até derramar a última gota de sangue.

Continuamos dentro de uma grande simbologia para todos os sacerdotes. Continuadores do sacerdócio de Cristo, não vivem só para oferecer sacramentos mas para tornar a sua vida um verdadeiro sacrifício de quem se entrega sem condições. A situação de pandemia que nos impediu de celebrar com normalidade convida-nos a olhar para além do que é visível e a acreditar que o mundo necessita da nossa entrega e que somos muito úteis para a sociedade que não pode olhar somente para o que se vê. O sacerdócio situa-se no mundo do invisível, se bem que com uma vida que se vai tornando doação visível. O essencial será sempre este sentido de entrega e de capacidade de oferta de tudo o que temos e somos. Não é a lógica humana que justifica a nossa presença na sociedade. Também não pode ser a procura das recompensas humanas. Tudo está para além do que a imaginação humana pode sugerir.

Como Cristo, o sacerdote deve ser o homem do coração trespassado por amor, que dá tudo e que o faz com grande alegria e sentido de responsabilidade. Trata-se de viver em atitude oblativa e interpretar o Evangelho aplicando-o a si mesmo. Como Cristo, devemos poder dizer “vinde a mim vós que andais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”. Não se trata só de convidar e ficar à espera. O sacerdote tem de sair de si para ir ao encontro e aliviar as dores. Ele sente estas palavras como dirigidas a si e sabe que nunca poderá viver intranquilo ou desorientado. Experimentando em Cristo a serenidade, sabe colocar-se na sociedade para ter sede de todos os males. Deveria ser uma espécie de esponja que passa pelos males da Humanidade e os vai acolhendo para os transformar em amor puro.

Na solenidade do Coração de Jesus reconhecemos a humanidade de Cristo com um coração de carne que sofre por todos os males da Humanidade. O Seu coração está cheio de tudo o que é humano. Também o sacerdote se aventura neste sentido, procurando estar próximo e permitindo que o seu coração se encha de todas as realidades humanas, particularmente as mais dolorosas em termos de sofrimento, doença, abandonos, desgraças. A felicidade está aqui. Não se trata nem sequer de fugir às coisas que repugnam. O sentido da vida do sacerdote está naquilo que a Igreja disse como programa para ela. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os que sofre, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração”. Fundamental é que tudo seja acolhido por amor. Nessa altura, somos o que nos recordava a primeira leitura. Tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus. Foi a ti que o Senhor escolheu para seres o seu povo entre todos os povos que estão sobre a face da Terra. Gastando a vida, geramos um povo que pode não ser o mais numeroso. Pode até ser o menor entre todos. O amor faz deles uma fortaleza que ampara. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o Seu amor é perfeito.

Escolhemos o dia do Coração de Jesus para a bênção dos óleos. É um dia em que a Igreja nos diz que os sacerdotes devem ser santos e que, por isso, devemos rezar. A santidade consiste em muitas coisas mas pode ser sintetizada na entrega a Deus e aos outros. Os óleos vêm das oliveiras depois de serem triturados e esmagados. Depois servem para muita coisa. Na liturgia baptismal, no crisma, nas ordenações e com os doentes. Outrora serviam sobretudo para iluminar. Hoje, a vida dos padres deve ter sempre este objectivo. Gastar-se para ser luz do amor de Deus em tudo o que tece a vida humana. Coisas grandes, coisas pequenas, no altar, fora do altar, somos coração trespassado pelo amor que nos possui e colocamos dentro desse coração todas as enfermidades para as transformar e inverter a sua lógica de destruição. Por nós passa a vida e isto deve ser o conteúdo permanente do nosso exame de consciência. Somos o que somos e devemos ser sempre santos para ser luz de Cristo no meio do mundo.

Este dia diferente, que vivemos numa atitude de isolamento e que nos obriga a um distanciamento, deve ser aproveitado para nos aproximarmos muito mais uns dos outros como verdadeira unidade presbiteral. Como nunca se falou de que somos um corpo e de que nos salvamos ou condenamos todos juntos. Para nós a unidade não pode ser uma mera palavra. Deve ter conteúdo interior na oração uns pelos outros, e exterior no testemunho de uma pastoral coral e sinodal. Este período só nos pede que reforcemos o que somos ontologica e sacramentalmente. Nada mais. Da minha parte, só quero continuar a dar a minha vida por todos e cada um, na esperança de que me perdoem pelas incoerências e incapacidades. Hoje, quero renovar a consciência de ser para todos e cada um, com um grande obrigado por aquilo que o presbitério testemunha. Aos sacerdotes em celebração jubilar, neste ano que alterou todos os seus projectos, expresso uma profunda gratidão e peço a Deus que os cumule com as suas bênçãos.

Que o Coração de Jesus informe a nossa vida com tudo o que ele encerra.

 

† Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

 

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