Arquidiocese de Braga -

29 novembro 2021

Francisco condena exploração de migrantes

Fotografia Julie Ricard/Unsplash

DACS com Agência Ecclesia

O líder da Igreja Católica aponta o dedo à “falta básica de respeito humano nas fronteiras”.

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O Papa condenou esta segunda-feira a exploração dos migrantes para alimentar “rivalidades políticas” e alertou para a falta de “respeito humano” que se verifica nas fronteiras.

Na mensagem em que assinala os 70 anos da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Francisco diz que é “lamentável que os migrantes sejam cada vez mais usados como moeda de troca, como peões no tabuleiro de xadrez, vítimas de rivalidades políticas”.

O Papa Francisco alerta para a predominância dos interesses económicos sobre as “necessidades e dignidade da pessoa humana”, e afirma que essa tendência se tornou “especialmente evidente durante os confinamentos da covid-19, quando muitos dos trabalhadores ‘essenciais’ eram migrantes, mas não receberam os benefícios dos programas de assistência financeira nem acesso aos cuidados de saúde básicos ou vacinas contra a covid-19”.

O líder da Igreja Católica aponta o dedo à “falta básica de respeito humano nas fronteiras”, sublinhando que esta situação “minimiza” todos, e explica que, “para lá dos aspectos políticos e jurídicos das situações irregulares, nunca devemos perder de vista o rosto humano da migração e o facto de que, por cima das divisões geográficas de fronteiras, fazemos parte de uma única família humana”.

Francisco exorta a uma mudança de perspectiva sobre as migrações, marcadas por histórias de “desigualdades, desespero, degradação ambiental, mudanças climáticas, mas também de sonhos, coragem, estudo, reunificação familiar, novas oportunidades, segurança e trabalho pesado, mas digno”.

Para o Papa, não se trata apenas de migrantes”, mas de todos nós, do passado, do presente e do futuro das nossas sociedades”, e não devemos ficar surpreendidos com o número de migrantes, mas vê-los todos como pessoas, olhando os seus rostos e ouvindo as suas histórias, tentando responder da melhor forma possível às suas situações pessoais e familiares únicas. Esta resposta requer muita sensibilidade humana, justiça e fraternidade”.

O Papa diz que é urgente levar em consideração os benefícios que os migrantes trazem para as comunidades que os recebem e para a forma “como as enriquecem”, promovendo o “conhecimento recíproco, abertura mútua, respeito das leis e da cultura dos países anfitriões num verdadeiro espírito de encontro e enriquecimento recíproco”.

Francisco desafia, ainda, a comunidade internacional a “enfrentar urgentemente as condições que dão origem à migração irregular”, tornando a migração “uma escolha consciente e não uma necessidade desesperada”.