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Ano Pastoral 2021+2022

"Onde há amor, nascem gestos"

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5 Nov 2021
Estar com Deus para ser de Deus
Homilia na Vigília das Vocações.
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  © DM

Em ambiente de oração, acolhemos a mensagem para o Dia Mundial de Oração pelos Seminários onde S. Marcos diz que Jesus escolheu doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar.

- Para muitos a numerologia bíblica torna-se uma pequena especialidade dentro do campo dos estudos Bíblicos.

- Não me detenho nessas considerações, mas podemos sublinhar 12 homens e 12 tribos como o número da universalidade. As 12 tribos representam todo o Povo de Deus do Antigo Testamento e os 12 apóstolos representam todo o Povo do Novo Testamento.

Tudo quer dizer que Deus quer salvar todo o povo, sem excluir ninguém. Para isso escolhe 12, que não é uma questão de número, mas significa universalidade. O amor quer chegar a todos e por isso todos são enviados a proclamar. Como nunca a Igreja sublinha esta doutrina. O Evangelho não é de alguns e não é para alguns. Daí a importância primordial de estar com Jesus.

Para quem já sentiu este chamamento, este momento é para re-apaixonar-se, sentir-se honrado, ter a honra de fervilhar com esta ideia, perder os complexos, mostrar autenticidade, não ter vergonha de ser e mostrar que é seminarista, jovem sem duas caras, dentro do Seminário e fora, com os amigos e conhecidos e com os desconhecidos. Não se contentar em ser estudante. Houve um chamamento de amizade. Isto deve ser enobrecedor e plenificador, tornando a vida alegre e feliz.

Se depois, a tarefa, o encargo para a qual é chamado a proclamar, também o trabalho intelectual, de convívio, é o estar com Ele. O trabalho pode ser de momentos, ocasiões, actividades. Tudo resulta se estiver solidificado no estar permanentemente. Para isso é necessário estar na Sua vontade, que não é uma circunstância, mas uma constante. Tudo é oportunidade para estar na vontade de Deus. Hoje sabemos que o caminho mais seguro para esta certeza é estar, também, com o próximo. Todos. Sem excluir ninguém. Com relações. Com relações sinceras que crescem na verdade e na entre-ajuda. Interesso-me por mim e comprometo-me com os outros. O seminário será sempre escola para muitas coisas, mas a prioridade terá de estar neste crescer diário juntamente com os outros. Caminhar juntos mas sonhar juntos. Propondo-se metas altas sublimes. Não permitir a tibieza ou adormecimento. Respeitamos o ritmo de vida dos outros mas teremos de ser mais interventivos sempre na caridade. Conhecemos coisas que não deveríamos tolerar na vida do Seminário. É preciso muito pouco para esfriar o calor e o ambiente. Caminhar juntos mas no bem, no interesse de que o colega melhore. Como é importante esta corresponsabilidade na caminhada de discernimento! Deixar correr certas atitudes nos colegas que muitas vezes apenas alguns amigos conhecem, é prejudicial para todos. A correcção fraterna é o verdadeiro e profundo modo de estar com os outros.

Se é este o ambiente que deve reinar no Seminário, as comunidades, com os seus cristãos, também terão de reconhecer o Seminário como causa a que se dedicar todos os dias. A sinodalidade com o Seminário deve significar isto mesmo. As comunidades paroquiais terão de extrair lições concretas quanto a este dever, obrigação de caminhar com os Seminários. Também nas paróquias teremos de estar com Jesus para O proclamar a todos sobretudo aos jovens.

Rezemos para que o Seminário faça parte do quotidiano das paróquias. Não é uma intenção ocasional e esporádica. Estar com Jesus vinte e quatro horas por dia, brincando, estudando, convivendo, dialogando, celebrando, fazendo catequese. Jesus soube estar com o povo e hoje teremos de aprender durante a vida toda a estar com Ele. Ele não falta ao encontro. Não se intromete. Só se disponibiliza para esta aventura. O Papa, no passado Domingo, a propósito da cimeira do clima dizia que era hora de agir. Olhando para o Seminário e para a necessidade de criar uma nova corresponsabilidade quanto ao discernimento vocacional de todos e cada um, também neste compromisso eu digo: É hora de agir!

Rezemos, então, para que para proclamar a Palavra com autenticidade saibamos estar com Ele permanentemente. Que isto não seja mensagem deste ano para a Semana dos Seminários. Que fique e entre nos bons hábitos do Seminário.

Obrigado a todos quantos ajudam nesta exigência. Aos pais e familiares, às equipas formadoras, aos verdadeiros amigos. Nos 450 anos do Seminário demos graças e testemunhemos gratidão por tudo quanto tem sido feito neste sentido. Trabalhemos para dar autenticidade ao quotidiano da vida do Seminário. E não esqueçamos. Há muita coisa para fazer. Perdemo-nos em iniciativas. Se não procuramos estar com Jesus, estamos desfocados e fora do verdadeiro caminho que o Seminário deverá percorrer no hoje da Igreja. Não temos outra alternativa. Que Maria nos ajude a estar com Deus, sempre. 

 

 † Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz

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