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"Onde há amor, nascem gestos"

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22 Dez 2021
Alarga o espaço da tua tenda
Homilia na Missa de Natal da UCP.
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  © DM

Mais uma eucaristia de Natal. Será rotina ou acontecimento a provocar atitudes novas? No mundo do estudo não nos contentamos com as repetições. A doutrina pode ser a mesma, mas tem formulações novas e está sempre aberta.

Este Natal, não sendo aquele que todos nós quereríamos, convido a que entre na Faculdade. Também aqui existirão alguns sinais exteriores a manifestar que se trata de um tempo diferente.

Creio, porém, que se impõe uma purificação por pequena que seja, a nível pessoal ou institucional. Temos uma identidade e não a podemos perder ou atenuar. Católica não pode ser um mero título diferenciador. Deve ter conteúdo e este não está só nas actividades curriculares. Trata-se de uma marca identitária a viver e a transmitir.

Creio que sabemos que nos encontramos em caminhada sinodal. Poderemos não lhe prestar grande atenção ou contentar-nos com o mínimo de dizer que respondemos a algumas questões. Sabemos como o Papa quer que sonhemos longe. Talvez seja um pouco utópico ou grande sonhador. Com o Sínodo, o Papa quer que consigamos discernir a Igreja para hoje, não descobrindo nada de novo, por aquilo que diz respeito à sinodalidade, mas definindo todos os contornos identitários de algo que é ontológico mas ficou no mundo das teorias ou das considerações das teses doutrinais. É comum dizer-se que a Igreja ou é sinodal ou não é. Sabemo-lo. O que fazer para chegar lá? Só os pequenos pormenores discernidos em trabalho comunitário de grupo poderão apontar novos caminhos para que efectivamente aconteça comunhão, se viva a participação e se exercitem ofícios concretos. Sabemos que não nos esperam muitas folhas para escrever e enviar. Pode surgir um pormenor a influenciar a Igreja Universal.

Mesmo que não encontremos as novidades revolucionárias, penso que teremos de fazer o exercício de um trabalho sinodal. Será útil para cada um e poderemos transmitir aos outros a alegria que temos de procurar a verdade. Vivemos num mundo de confronto de ideias sobre tudo.

O pensar da Igreja não pode encerrar-se nas catedrais e nas homilias ou discursos dos Bispos. Poderão ser coisas delicadas. Uma reflexão sinodal, caracterizada pela escuta e capacidade de resposta, pode ajudar a encontrar um pensamento que, talvez em pequenos grupos, mostre valores verdadeiramente humanos porque são cristãos. 

O relativismo avança e tudo é apresentado como valor científico. Não seremos capazes de construir um pensar característico de um humanismo cristão?

As crónicas quotidianas poderão criar em nós a nostalgia dos tempos passados e fazer com que nos resignemos a uma simples manutenção. Somos poucos e pequenos. Os judeus foram ao deserto escutar João Baptista e Cristo interroga-os se ele não era uma simples cana agitada pelo vento. Quando, na verdade, na ousadia da sua mensagem, entre os nascidos de mulher não havia nenhum maior do que Ele. Esta é a nossa vocação e não presunção. A Igreja tem tempos e épocas, mas a renovação gerará vida nova desde que assumida e proclamada na autenticidade. Isaías, na primeira leitura, falou do último cântico do servo de Javé carregada de tristeza e dor de alma. Mas imediatamente aponta outro caminho capaz de novas aventuras. “Alarga o espaço da tua tenda, sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas; alonga as cordas, reforça a estacas porque vais expandir-te para a direita e para a esquerda. A tua descendência conquistará as nações e povoará as cidades abandonadas.”

Neste contexto e neste tempo que vivemos, de pandemia e sinodal, gostaria de pedir e agradecer a cada um, professores e alunos, assim como a toda a instituição académica. “Alarga o espaço da tua tenda, sem olhar a despesas, estende sem medo as cortinas das tuas moradas.”

O que é que isto poderá significar. Não saberei dizer. Só sei que as coisas de Deus quando encontram vontades disponíveis proporcionam muitas surpresas. Há novidades para a Faculdade, para a Arquidiocese e para a Igreja Universal que podem acontecer. Desculpai que vos agradeça o que pode dizer respeito à Arquidiocese. Se sou sonhador, peço-vos desculpa.

Permiti uma referência pessoal. Fui aluno do Seminário Conciliar de Braga. Fui estudar para ser professor no mesmo Seminário pois a realidade universitária ainda não era pensada. Fui professor do Instituto e Faculdade de Teologia nos seus primeiros passos. Tenho consciência da minha dedicação reduzida.

Os sacerdotes tinham preenchido as minhas preocupações. Reconheço que devo penitenciar-me. Como Arcebispo procurei estar em todos os eventos, litúrgicos e académicos, dando o meu pobre contributo. Penso que sempre lutei pela Católica em Braga. Ao deixar de ser Arcebispo agradeço tudo quanto recebi e espero que me perdoem por aquilo que esperavam e, porventura, não encontraram.

Permiti que vos deixe o meu lema episcopal como suporte de um trabalho eficaz, “ut unum sint”, “que todos sejam um” e um pouco do meu temperamento para me desculpar e, quem sabem, vos alentar. Contente, mas insatisfeito!

 

 † Jorge Ortiga, Administrador Apostólico

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