Arquidiocese de Braga -

2 fevereiro 2026

Retiro do LOC/MTC de Braga destaca sinodalidade e atenção aos irmãos

Fotografia DR

Equipa Diocesana da LOC/MTC de Braga

Conclusões do Retiro Diocesano da LOC/MTC - Barcelos 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2026

“Olha Deus a passar por aqui!”, um pedaço de vida militante que une o trabalho e a família com o Criador; um trabalho que mistura alegrias e conflitos, crueldade com bondade, relação e interação com todos que constituem a grande comunidade das famílias trabalhadoras. Deus passa pelas suas vidas todos os dias, “até pelo meio das panelas Ele passa”, como dizia Santa Teresa. Desde o sítio onde se processam os salários que alimentam vidas, até às lides domésticas e ao cuidado devido a cada ser humano, seja pobre, doente, aleijado ou a precisar de cuidados aí está Deus.

A sensibilidade do orientador do retiro, D, Jorge Ferreira da Costa Ortiga, Arcebispo emérito de Braga, ajudou os presentes a mergulhar neste sentir de Deus sempre atento às suas/nossas vidas com as marcas, da interioridade, da unidade, do amor, da caridade e da alegria.

Vivemos um tempo difícil de egoísmos mortais e de uma Igreja que nos convida a caminhar juntos, não como estratégia, mas numa conversação permanente com o Espírito, que nos aponta diferentes caminhos:

1. O Espírito que trabalha em nós, na oração, no silêncio e na escuta. Somos convidados a vir e ver, mais do que as palavras a ser testemunhos vivos a atuar no trabalho, na família, no associativismo e nos tempos livres. Temos o dever de interpelar a sociedade; temos o direito de fazer perguntas difíceis; queremos ser sementes, árvores de fruto e alimento da humanidade. Podemos não ter o dom da palavra, mas temos o dom da fé que não nos deixa desistir, mesmo nas situações mais difíceis. Somos Ação Católica, que ajudamos a descobrir os sinais da presença de Deus nas nossas vidas e nas vidas das outras pessoas. Temos um método que nos revela um ver permanente – vinde ver – que é muito mais do que ouvir dizer.
2. Aceitar a diversidade, fazendo dela sinodalidade transformada em realidade, no saber ouvir, na alegria e esperança do Jesus que trespassa as nossas vidas e nos alimenta com os seus valores, que faz de nós chama viva nas dores desta sociedade. É preciso ver, ver, ver! – ouvir, falar, encontrarmo-nos, interpelarmo-nos em grupo – ouvir os gritos das periferias; as pessoas cansadas e desacreditadas; sentir as dores da humanidade.

3. Gostamos de ser justos de ouvir falar da justiça. Também sabemos que é difícil sentir o Espírito Santo, invisível sem palpar as suas mãos nem os pés, mas que nos impulsiona, utiliza as nossas mãos, as nossas pernas e a inteligência oferecida para agir. A família laboral, mais alargada, é o local do nosso agir.

4. O carisma da Ação Católica – Ver, Julgar e Agir é um dom que o Espírito Santo oferece à Igreja. Não estamos no tempo de tocar o sino e esperar que as pessoas apareçam. Estamos no tempo, isso sim, do convite individual e pessoal, de bater à porta, de ser cristão por convicção. A Igreja é Santa, mas é feita de pecadores. 

5. Temos que dar mais atenção ao muito que de bom existe na nossa sociedade. Há tanta coisa boa! Devemos continuar a reafirmar os nossos valores e soltá-los no meio dos problemas. Não podemos ter medo do nosso interior; às vezes receamos as palavras que Deus nos quer dizer a partir do nosso interior. Temos que saber cuidar melhor do nosso interior, com a diversidade de pensamentos, presença e diversidade de ação. 

6. Queremos ser rostos de alegria que exprima aquilo que nos vai no interior. Sem Deus não há alegria. Saibamos ouvir a voz que nos vem de dentro; perder o medo de entrar no interior e saber ouvir; queremos viver a conversão em sinodalidade e transformá-la numa conversação permanente entre as comunidades e o Espírito Santo que nos anima a ser santos capazes de vencer as forças do mal.

Os trabalhos encerraram na capela do Seminário da Silva, com a concelebração da Eucaristia a que presidiu D. Jorge Ortiga e com a presença do diácono José Maria Carneiro Costa, assistente diocesano espiritual da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, na Arquidiocese de Braga.

Barcelos 01 de fevereiro de 2026

A direção executiva da LOC/MTC