Arquidiocese de Braga -
20 março 2026
“Jardim da Esperança - Florescer a Beleza da Esperança”
Mensagem dos bispos para o tempo da Páscoa
Estimados irmãos e irmãs da Arquidiocese de Braga,
Cristo ressuscitou!
E da terra ferida pela morte, o jardim floriu!
Talvez tenhas chegado a esta Páscoa cansado. Na Quaresma, cavámos a terra, removemos pedras, regámos e adubámos o solo do coração. Mas agora, na manhã de Páscoa, não olhamos para o que fizemos, mas para o que Deus faz brotar. Num jardim, Maria Madalena encontrou o Ressuscitado e, atónita, O confundiu com o jardineiro (cf. Jo 19,41; 20,15). Não se enganou. Jesus é o Jardineiro de Deus. Ele continua hoje, neste nosso tempo, a inclinar-Se diante da desesperança do mundo para lhe dar vida e vida em abundância (cf. Jo 10,10).
A cruz que ganha flores
O maior sinal desta vida a florescer é a Cruz: aquele madeiro seco, plantado como sinal de morte, tornou-se Árvore da Vida. Por isso, sugerimos algo simples e concreto: porque não colocar, nas nossas casas, durante o Tempo Pascal, uma cruz florida? Não como decoração, mas como memória viva de que Cristo faz florescer até aquilo que em nós parece perdido.
A coragem contra a resignação
Outro gesto concreto: propor nas nossas comunidades a Via Lucis. Num tempo atravessado pela guerra, pelo medo e pela incerteza, pelas preocupações económicas e da vida familiar, proclamar a Ressurreição não é ingenuidade. É coragem. Num mundo que se habitua à morte, nós ousamos anunciar a vida. «No meio da complexidade sem precedentes da história, há o perigo de ceder à resignação. [...] Mas hoje celebramos a vitória de Cristo que transformou o sepulcro, de lugar de morte, num jardim de vida» (Papa Francisco). Ou seja, a Páscoa não nos retira da realidade; antes, dá-nos força para permanecer nela sem desistir.
Não improvisamos a Esperança
Mas sejamos claros: a esperança não se improvisa, constrói-se. E constrói-se com gestos concretos. Por isso, como verdadeiro sinal de comunhão, convidamos toda a Arquidiocese a uma renúncia pascal, a 26 de abril, para o fundo “Ajuda para prejuízos com a tempestade Kristin” da Diocese de Leiria-Fátima. A caridade não é um acessório da fé; é o seu critério mais sério.
Uma fé atenta e audaz
Neste Tempo Pascal, celebramos também Cristo Bom Pastor. E queremos dizer-vos com simplicidade: rezai por nós e cuidai dos nossos sacerdotes. Rezai por eles. Escutai-os. Ajudai-os. Um padre sozinho, cansado ou desanimado é um jardim que começa a secar. Um padre acompanhado, escutado e amparado é um jardim que volta a dar fruto. Quando uma comunidade cuida do seu pároco, cresce na fé, na alegria e no compromisso de cuidar uns dos outros.
Na Semana de Oração pelas Vocações, não fiqueis apenas pela oração. Ela é essencial, mas tende também a coragem de chamar. Um pai, uma mãe, um catequista, um amigo que diz a um jovem: «já pensaste que Deus pode estar a chamar-te?» pode mudar uma vida inteira. Uma comunidade que não chama começa, lentamente, a perder futuro.
No mês de maio, olhamos para Maria. Ela fez o essencial: acolheu, guardou, respondeu, permaneceu. «Guardava tudo no seu coração» (cf. Lc 2,51). Num tempo disperso e acelerado, Maria ensina-nos a não viver à superfície. No Dia da Mãe, agradecei, rezai, reconciliai-vos. E não esqueçais de cuidar delas, com gratidão concreta e presença fiel.
Não às flores artificiais
Na Solenidade da Ascensão, Dia das Comunicações Sociais, deixamos um apelo direto: não deixeis que os algoritmos decidam a vossa visão do mundo, mas preservai vozes e rostos, porque «o rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro» (Papa Leão XIV). Não vos habitueis à indiferença diante do sofrimento. Levai o Evangelho também aos ambientes digitais, com verdade, com respeito, com humanidade.
E, na Solenidade do Pentecostes, não vos limiteis a assistir: pedi o Espírito Santo. Pedi a parrésia, o desassombro dos primeiros discípulos. Caros cristãos, «a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração» (Bento XVI). E essa atração nasce de vidas verdadeiramente transformadas.
Irmãos e irmãs: na Quaresma, a terra acolheu a fecundidade na fragilidade. Agora, é tempo de florescer.
Não às flores artificiais, perfeitas, bonitas, mas sem qualquer vida. Sim, à beleza discreta e real de quem se deixa cultivar por Cristo.
A alegria é a vossa força
«O deserto e a terra árida alegrar-se-ão; a estepe exultará e florescerá como o narciso; florescerá e exaltará, gritando de alegria» (Is 35,1). Esta promessa não é para outros. É para nós. Aqui. Agora.
Ide, alegres e florescei. Ainda que seja pouco. Mas de verdade.
Levai Jesus a todos e todos a Jesus.
Feliz e Santa Páscoa!
D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita
D. Delfim Gomes, Bispo Auxiliar
D. Nélio Pita, Bispo Auxiliar
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