Arquidiocese de Braga -
3 abril 2026
«Temos de discernir e decidir novos modos de sermos Igreja»
DM - José Carlos Ferreira
D. José Cordeiro dirigindo-se diretamente aos sacerdotes na Missa Crismal e Bênção dos Santos Óleos
O Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, defendeu ontem a necessidade da Arquidiocese discernir e decidir novos modos de ser Igreja. O apelo foi feito na Missa Crismal e Bênção dos Santos Óleos, uma celebração em que os sacerdotes da Arquidiocese renovaram as suas promessas sacerdotais e se prepararam para seguir o caminho de Páscoa.
D. José Cordeiro, dirigindo-se aos bispos, presbíteros e diáconos, sustentou que «o mundo complexo e em mudança acelerada, que parece querer arrastar-nos na voragem da novidade contínua, pode ser opressor para nós que tentamos viver o tempo de Deus nos caminhos do mundo».
Por isso, sublinhou, «temos de discernir e decidir novos modos de sermos Igreja que caminha unida neste território bracarense». «E ainda que haja tanta vitalidade de fé que devamos preservar e revalorizar, ainda que haja tantos lugares no mundo e em Portugal, onde a situação da Igreja seja mais difícil que a nossa, não podemos esperar mais. Partimos com atraso, porque não quisemos enfrentar a realidade, a qual se está agora a impor de forma inexorável, mas ainda é possível renovar», salientou.
Na sua homilia, o prelado considerou que a Arquidiocese, «felizmente» ainda tem um presbitério «com muitos sacerdotes». Contudo, frisou, a realidade mostra também que este mesmo presbitério é composto por sacerdotes «cada vez mais velhos, permanecendo ativos até idades bem avançadas». «E ainda que tenhamos a grande graça de ordenarmos alguns novos padres, estes dados não são suficientes para a renovação geracional do presbitério bracarense», salientou.
O Arcebispo Metropolita de Braga reconheceu, por isso que muitos sacerdotes desta Igreja bracarense «se sentem no seu trabalho pastoral cada vez mais cansados, sobrecarregados, até porque estamos a tentar manter um estado de coisas que exige muitos mais recursos do que aqueles que temos disponíveis atualmente».
«Caríssimo Padre, como encaras as tuas fragilidades? Como cuidas do descanso pessoal, da oração, das relações familiares e de amizade significativas? O que podes fazer para uma relação mais saudável entre o presbitério, que seja fonte e meta de um ministério mais feliz, frutuoso e humana, espiritual e pastoralmente realizado?», questionou.
Para D. José Cordeiro, a Igreja de Braga tem de «continuar o caminho de Páscoa, que passará pela cruz, mas chegará à ressurreição, o qual nos levará a uma Igreja mais ministerial, onde pastores e fiéis leigos, cada um com o seu ministério específico, trabalham em conjunto na administração e realização das diversas áreas da pastoral».
O prelado defendeu que, «com os diáconos permanentes, com os acólitos, leitores e catequistas instituídos, e outros ministérios que o Espírito Santo pode suscitar, podemos ajudar-nos mutuamente para evitar situações limite, em que a administração colocada nas mãos e ombros de uma só pessoa leva ao esgotamento físico, mental e espiritual dessa pessoa».
Por fim, D. José Cordeiro lembrou que o «traço essencial do ministério ordenado não é o de poder celebrar sacramentos, mas de se tornar sacramento de Jesus».
D. José Cordeiro agradeceu aos presbíteros pelo seu testemunho e dedicação
O Arcebispo Metropolita de Braga agradeceu ontem aos presbíteros por tudo o que fazem na Arquidiocese e pela forma dedicada como o fazem.
«Expresso um profundo agradecimento a todos os presbíteros pelo seu testemunho e dedicação, em todas as partes da nossa Arquidiocese: doam a vida, celebram bem a Liturgia, especialmente a Eucaristia, o Batismo, a Reconciliação, a Santa Unção e o Matrimónio, rezam e pregam a Palavra de Deus, e se dedicam, diariamente, com amor e compaixão aos seus irmãos e irmãs», disse.
Na sua homilia na Missa Crismal e Bênção dos Santos Óleos, a que presidiu na Sé de Braga, tendo como concelebrantes o Núncio Apostólico em Portugal, os dois Bispos Auxiliares de Braga e o clero da Arquidiocese, D. José Cordeiro deixou um alerta. «Não termos em conta que também somos discípulos, e não apenas pastores, pode fazer de nós homens desligados da vida das pessoas aos quais fomos enviados a servir. Esquecer que também temos algo a aprender com o Povo santo de Deus, pode tornar-nos homens em que abunda a sobranceria, embriagados de um falso poder moral, que nos leva a cair na tentação de impormos a todo o custo as nossas ideias, procurando destaque e prestígio, desligando-nos até da comunhão com a Igreja, o bispo e os restantes presbíteros», salientou. Para o prelado, «cada sacerdote», ou seja, bispo e presbítero, «é chamado a ser servidor criativo do Amen, ou como escreveu Santo Agostinho, “dispensador do vosso Sacramento”, experimentando que, como disse José A. Mourão, “todo o instante é Páscoa, toda a vida é passagem, toda a vida é eucaristia”».
Lembrando que os presbíteros são servidores do Amen – Jesus Cristo, o Arcebispo de Braga alertou para o facto de no ministério e na vida dos sacerdotes existir «o grande perigo de reduzir a sacramentalidade a mero sacramentalismo, funcionalismo, ativismo ou distração, sem dedicação centrada em Jesus Cristo». Por fim, o prelado sustentou que a santidade está ao alcance de todos.
D. José Cordeiro disse que, do elenco dos santos da Arquidiocese é possível colher «testemunhos de homens e mulheres que no seu tempo souberam discernir os modos de fazer fermentar na sociedade o eterno Evangelho». «Isso também está ao nosso alcance. Não andemos distraídos, mas dedicados em Jesus Cristo», disse.
Partilhar