Arquidiocese de Braga -

21 abril 2026

Novos diáconos escolhem servir Igreja de Braga após experiências de vida no meio do mundo

Fotografia DACS

DM - Joaquim Martins Fernandes com DACS

A Arquidiocese de Braga vai contar, a partir do próximo domingo, dia 26 de abril, quatro novos diáconos. Abraçam o serviço à Igreja com o sentido de «humildade que Cristo revelou no lavar dos pés aos discípulos», depois de terem vivido experiências de vida no meio do mundo, marcadas pela intermitência da frequência do seminário. Mas a voz interior que chamava para o  serviço ao Povo de Deus acabou por prevalecer, mesmo depois de frequências de universidades, experiências em países estrangeiros ou dezenas de anos numa profissão marcada pela formação em engenharia.

Pedro Zão, José Miguel, Pedro e José Neto são os quatro novos servidores da Igreja que o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, vai ordenar diáconos, no próximo domingo. «É precisamente o domingo em que Igreja celebra o Dia das Vocações», sublinha José Neto. Natural de Santo Tirso, e com 55 anos de idade, o futuro diácono entrou no seminário depois de vários anos a exercer a profissão na área da engenharia e gestão industrial. 

Nos 47 anos que viveu até entrar no seminário, para abraçar uma «vocação transcendental», José Neto dedicou-se ao trabalho «muito cedo», para ajudar meus pais, que «já gozam a Páscoa eterna». As «necessidades» que o  «obrigaram a crescer como ser humano» ajudaram-no também a estar atento aos outros. «Também neste processo, a nível religioso, de 47 anos, fui alguns anos catequista, pertenci à juventude franciscana, alguns anos também fiz visitas aos lares», recorda, para vincar que «o sentido caritativo sempre esteve presente na minha vida, graças à educação que os meus pais me deram». O futuro diácono tem como lema pessoal «a gratidão e agradecimento a todos aqueles, novos e de idade», que o ajudaram a descobrir a vocação que vai abraçar com «sentido de humildade» que caracteriza «uma pessoa humilde e pronta para trabalhar, para ajudar».

Com metade da idade de José Neto, o Pedro é natural da freguesia bracarense de Maximinos. «A minha vocação começou desde muito pequeno. Com apenas 5 anos de idade comecei a acolitar, por convite do meu pároco e foi este serviço, esta proximidade ao altar que fez nascer dentro de mim um desejo», recorda, para vincar que «com apenas 11 anos» entrou para o Seminário Menor de Braga». Não esconde que foi «um exercício também complicado largar o conforto de casa, deixar os amigos da escola e abraçar este novo desafio». Aos 17 anos tomou a decisão de dar um novo passo e «continuar este caminho de discernimento» que percorreu durante sete anos no Seminário Maior. Às «portas da ordenação», perspetiva um futuro de «proximidade a todas as pessoas» e «fazer caminho com este Deus que se revela no quotidiano». 

Com 27 anos de idade, José Miguel, residente em Terras de Bouro, nasceu no Porto. Razão por que entrou para os Salesianos, antes de ingressar no Seminário Menor de Braga, aos 15 anos de idade. O caminho continuou no Seminário Maior, mas foi interrompido por «uma pausa». Foi para a Bélgica estudar Teologia e após estágios em Braga e Guimarães olha para o dia da ordenação «com muita alegria».

A mesma alegria e motivação de «serviço» assume Pedro Zão. Natural de Esposende, garante o processo que o conduz à ordenação diaconal «começou não de maneira extraordinária, mas fruto de um acompanhamento de várias pessoas». A começar pela avó, que todas as noites rezava com ele aos pés da cama. A «vocação foi surgindo» e entrou no Seminário Menor de Braga pelos 11 anos. O percurso até ao Seminário Maior foi natural, mas pelo caminho fez «uma pausa». Foi estudar e trabalhar, mas o «miúdo irrequieto» manteve sempre uma «forte ligação» à Igreja. Quer agora «abraçar uma outra responsabilidade, que é esta do serviço à Igreja, sempre a partir do lava pés».

Proximidade às feridas do mundo para curar dramas humanos de uma forma muito próxima

Uma atitude de «serviço» perante o Povo de Deus e uma «permanente proximidade às feridas do mundo», assumindo a missão de «curar os dramas humanos de uma forma muito próxima, muito humana». É o compromisso dos quatro novos diáconos que vão ser ordenados pelo Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, no próximo domingo, dia 26 de abril, na Sé.

Pedro Zão, José Miguel, Pedro e José Neto revelaram que a preparação para a ordenação diaconal também integrou uma reflexão sobre qual a imagem de marca a que associam a sua missão eclesial. «Quando nos juntámos para refletir sobre como podíamos condensar este serviço do diaconado, concordámos os quatro que a imagem do “Lava Pés”, do Evangelho de Quinta-feira Santa, é muito forte e ressoa dentro de nós», confidenciou José Miguel, acrescentando que «aquele espaço de humildade, aquele gesto de serviço tão concreto e real de Jesus que se abaixa, que desce, para lavar os pés aos discípulos expressa o serviço que nós queremos prestar, na humildade».

«Precisamos, de facto, nos abeirar das feridas dos nossos tempos, dos dramas, de uma forma muito próxima, muito humana, sem sentidos de superioridade, mas para servir. Por isso é que também escolhemos como lema esta frase de Lucas “Eu estou no meio de vós como aquele que serve” como reflexo daquele gesto que marca a Igreja e que deve ser a sua identidade de servir até ao fim, como Jesus que os amou até ao extremo», sublinha o jovem do arciprestado de Terras de Bouro.

É que a vocação de um diácono reside em «seguir Jesus, amá-Lo, a servi-Lo, e depois a fazê-lo no outro e nos outros, mas sempre de maneira tranquila, à maneira de um Jesus que se coloca a nosso lado, que caminha connosco», salienta Pedro Zão, antecipando que o serviço a Deus e a à Igreja que se propõe abraçar «é uma vocação que  pode surgir em várias etapas e em várias dimensões». 

Salientando que os quatro estão numa etapa que tem como «propósito e fim último, a santidade», o jovem de Esposende nota que «é para isto que todos somos chamados, de uma maneira ou de outra». Para «sermos sinais de Deus e sinais do próprio Jesus na humanidade», enfatiza, para deixar claro que «o significado da nossa ordenação diaconal é, precisamente servir, servir e servir».

Na mesma linha vai o jovem Pedro, natural da freguesia bracarense de Maximinos, que sublinha a importância do testemunho ao longo da vida. 

«Ao longo de toda a minha vida, e todas as pessoas que se cruzaram, se têm cruzado, e que cruzarão no meu caminho, consigo testemunhar isto mesmo: a vida é partilhada, a vida é um dom. E, muitas vezes, as outras pessoas que são o rosto de Deus, são as pessoas que nos fazem também aproximar de Deus e procurar também descobrir aquilo que Ele sonha para cada um de nós».

«E olhando para a minha vida, para o meu percurso, consigo identificar situações claras, pessoas concretas, dias, horas, em que Deus colocou as pessoas certas no meu caminho. Portanto, sou grato a essas pessoas que ajudaram  dizer este sim a Cristo, este sim à Igreja, no ministério que quero abraçar», reforçou Pedro.

Também José Neto coloca a atitude de serviço no centro da sua ordenação diaconal. «Queira Deus que cada um de nós tenha a capacidade de descobrir, através da oração, através de gestos concretos, este Deus que está sempre pronto para nos escutar e nos levantar. Quinta-feira Santa, quando Ele lavou os pés, Ele deixou-nos um gesto concreto, um gesto de humildade, de serviço. Queira cada um de nós, e eu em particular, ser seguidor, humildemente, desse gesto tão nobre, mas tão rico, para todos os homens», disse. O futuro diácono que deixou para trás o curso de engenharia para servir o Povo de Deus vai mais longe. «A mensagem que quero deixar a todos os jovens é que, no dia 26, Dia Mundial das Vocações, não tenham medo. Mesmo nas vossas dúvidas, nas vossas incertezas, há um Deus que nos ama, há um Deus pronto a acudir-nos, nós só temos é que nos fazer abrir Ele».