Arquidiocese de Braga -

10 agosto 2026

Emigrantes peregrinaram ao Sameiro para agradecer proteção de Nossa Senhora

Fotografia DM

DM - Carla Esteves

O Santuário do Sameiro voltou, ontem, a ser ponto de encontro de emigrantes portugueses provenientes dos mais variados “cantos do mundo” que, nesta altura do mês de agosto, peregrinam a este local de religiosidade mariana em pleno coração do Minho, para agradecer a proteção e intercessão de Nossa Senhora ao longo de todo um ano de trabalho, longe da sua terra natal.

Foi com alegria, pétalas de flores e ao som dos ranchos folclóricos da região, que o andor que transportava a imagem de Nossa Senhora do Sameiro foi acolhido no recinto em frente à cripta. A imagem da Virgem foi então venerada e homenageada com as danças e os cantares do povo minhoto, que assim exprimiu a sua profunda devoção à Mãe de Jesus.

Oriundos dos mais diferentes locais, com destaque para a França, a Suíça, o Luxemburgo e a Alemanha, os emigrantes não ostentavam em mãos as bandeiras dos países que os acolheram além-fronteiras, mas antes revelavam a fé comum e o sentimento de gratidão e pertença, que os faz peregrinar ao Sameiro sempre que regressam a Portugal.

A peregrinação a pé saiu do Bom Jesus a caminho do Sameiro, mas aos caminhantes juntaram-se muitos outros que optaram por fazer a viagem de automóvel até ao santuário.

Durante a Eucaristia, que se realizou na cripta, o presidente da Confraria do Sameiro, cónego José Paulo Abreu, salientou que «nesta Casa os emigrantes são verdadeiros irmãos».

«Em Deus somos todos irmãos e é esse o espírito com que gostaria que estivéssemos todos aqui, independentemente do lugar geográfico que onde viemos. Aqui todos fazemos parte da mesma família e nos confiamos à solicitude maternal de Nossa Senhora», afirmou.

Perante uma assembleia atenta, o cónego José Paulo Abreu realçou a dualidade da condição de Nossa Senhora, que «está tão perto de Deus, que só lhe falta ser Deus» e simultaneamente «tão perto de nós, que só lhe falta o pecado».

«Que melhor ligação poderíamos ter com Deus Pai, senão a Mãe do Céu?», questionou o sacerdote, incentivando os fiéis a confiar em Nossa Senhora, e a pedir a sua ajuda e intercessão, acrescentando que «independentemente do caos, das lutas e dos momentos de angústia na vida, aqui todos nós temos paz».

O presidente da Confraria do Sameiro tirou também um momento para saudar os ranchos folclóricos «que enchem de música e de alegria o Santuário e o nosso coração» e para agradecer a presença de todos os que fazem esta celebração.

Realizou ainda uma reflexão, com base nas leituras do dia, para lembrar aos fiéis que «Jesus nunca nos esquece, antes se manifesta das mais inesperadas formas, mas nunca deixa de vir em nosso socorro nos momentos mais difíceis».

«Que Deus nos estenda sempre o Seu braço e nos salve pela intercessão de Nossa Senhora do Sameiro», pediu o sacerdote, lembrando que Nossa Senhora não esquece todos os que pedem a sua intervenção. 

Grupos folclóricos da região bailaram à Senhora com fé e alma minhotas

Elementos de 17 grupos folclóricos do concelho de Braga revelaram, ontem, os ritmos, a tradição e a alma minhotas numa das mais belas e originais manifestações de fé em Nossa Senhora do Sameiro. A 18.ª edição do “Vamos Bailar à Senhora” atraiu um vasto público entre peregrinos, emigrantes e turistas que, num ambiente de genuína comoção, assistiram a esta belíssima homenagem à Virgem Maria através da dança.

Organizada pela Associação Cultural “Os Sinos da Sé”, em parceria com a Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, esta edição voltou a demonstrar a importância da música e da dança tradicionais como veículo de inclusão e de veneração a Nossa Senhora.

A primeira apresentação decorreu da parte da manhã, momento em que os grupos folclóricos saudaram, com canto e dança, a chegada do andor de Nossa Senhora na Peregrinação dos Emigrantes.

Da parte da tarde, realizou-se novo espetáculo, desta vez junto à Basílica do Sameiro, voltando a atrair inúmeras pessoas.

O fundador do Grupo Folclórico da Associação Cultural e Festiva “Os Sinos da Sé”, José Machado, recordou que a tradição nasceu em 2004, quando o Papa S. João Paulo II distinguiu o Sameiro com a Rosa de Ouro, tendo então sido o primeiro encontro folclórico do género num local de peregrinação e não de romaria». De então até à atualidade houve um interregno de 4 anos, e uma cerimónia simbólica em ano de pandemia, mas desde então não mais se deixou de realizar este ritual de homenagem único no mundo, pois só no Sameiro se louva a Senhora com esta letra e coreografia tão amadas pela poética popular.

O presidente da Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, cónego José Paulo Abreu, agradeceu aos grupos folclóricos e sublinhou «este encontro intergeracional de uma cultura que tem futuro».

«Obrigado pelo que fazeis pelo Sameiro, o Sameiro é de nós todos», afirmou. *com Cristiana Barbosa