Arquidiocese de Braga -

7 setembro 2026

Cristãos devem ser sentinelas de fé atentos ao bem dos irmãos

Fotografia DM

DM - José Carlos Ferreira

O Bispo Auxiliar de Braga, D. Delfim Gomes, incentivou ontem os cristãos para que sejam sentinelas de fé, atentos ao bem dos irmãos.

O prelado, que presidiu à Eucaristia solene da romaria de Nossa Senhora de Porto de Ave, na freguesia de Taíde, concelho da Póvoa de Lanhoso, lembrou que é importante que todos sintam que a «nossa dívida de amor nunca está paga».

«Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher. Há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer. Há sempre mais um sorriso que podemos partilhar. Há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída», salientou D. Delfim Gomes, que garantiu, na sua homilia, que Maria é a grande sentinela da Igreja. «E nesta festa reconhecemos que Nossa Senhora tem sido, ao longo das gerações, sentinela da humanidade. Guardou famílias, acompanhou sofrimentos, sustentou esperanças, inspirou gestos de reconciliação». O Bispo Auxiliar de Braga vincou ainda a importância de recentrar a vida cristã no essencial, ou seja, o amor ao próximo.

«O cristão é aquele que, como Cristo, ama sem cálculo, sem contrapartidas, sem limites, sem medida. Na nossa experiência cristã, só o amor é essencial. Tudo o resto é secundário. As nossas comunidades cristãs, a exemplo da primeira comunidade cristã, deviam ser comunidades fraternas, onde se notassem as marcas do amor», afirmou.

Para D. Delfim Gomes, Nossa Senhora «viveu esta verdade de plena», porque «toda a sua vida foi um “Sim” de amor», nomeadamente «amor a Deus, amor à Palavra, amor ao povo, amor aos pequenos e frágeis». «A devoção a Nossa Senhora é escola de amor concreto. Quem se aproxima de Maria aprende a amar como Ela amou, com paciência, com humildade, com serviço, com fidelidade», disse.

Segundo vincou na sua homilia, «Maria lembra-nos que a verdadeira devoção não está naquilo que lhe possamos oferecer, mas na caridade que somos capazes de viver e testemunhar».

Perante um santuário completamente cheio e muitos fiéis a participarem no exterior, seguindo atentamente a Eucaristia por um ecrã gigante, o Bispo Auxiliar de Braga sublinhou que «Maria é a Mãe da Comunhão, aquela que nunca desiste de juntar os filhos».

«Maria é a ponte que une, nunca o muro que separa. A devoção a Nossa Senhora tem uma marca muito própria. Maria, como Mãe, que acolhe, cura e envia, acolhe quem chega cansado, cura quem traz feridas no coração. Ela não nos reúne para ficarmos fechados na devoção. Reúne-nos para renovarmos a missão, sermos sentinelas uns dos outros, viver a caridade como lei, construir comunhão nas famílias e ser presença de paz na comunidade», disse.

Romaria de Porto de Ave «é especial»

O presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso não tem dúvidas de que a Romaria de Nossa Senhora de Porto de Ave, na freguesia de Taíde, é diferente de todas as outras que se realizam nesta região.

Desde logo, salienta Frederico Castro, por estar «inserida num património histórico e religioso que é único no nosso concelho». Depois, porque esta é uma romaria «que traz cá muitos romeiros» e que conta sempre com a presença do Arcebispo Metropolita de Braga ou dos seus Auxiliares.

O autarca, realçando que tem familiares e muitos amigos em Taíde, disse que está presente todos os anos nesta romaria para pedir à Senhora de Porto de Ave que lhe dê força para conseguir aguentar as dificuldades da vida, que são sempre muitas.

Frederico Castro, para além da vertente espiritual, vincou a tradição gastronómica ligada a esta romaria.

«Nós temos um prato típico desta romaria e desta freguesia em particular, de Taíde, deste lugar de Porto de Ave, esse prato típico que é o bife à romaria e os melões. São sempre uma seleção premium dos melhores melões da época e da região», disse.

Para o pároco de Taíde, a edição deste ano da romaria, que teve na Eucaristia Solene o seu momento mais importante, tem um balanço positivo.

A vertente religiosa, salientou, «foi muito marcante, através dos nove dias da novena, em que o santuário ficou repleto». Segundo o padre Augusto Freitas Baptista, o pregador apresentou-se com uma linguagem simples sem ser banal, que tocou o coração das pessoas com exemplos muito concretos e muito práticos do dia a dia.

Para o sacerdote, a Eucaristia de ontem e a procissão à tarde foram os grandes momentos desta romaria.

O pároco de Taíde também não esqueceu, no seu balanço, a parte profana da festa, «que realmente arrasta muita gente durante a noite». «Não é gente que vem habitualmente à Eucaristia, mas fala na Senhora de Porto de Ave e, mais dia, menos dia, passará pelo Santuário», disse.

Para o presidente da Confraria de Nossa Senhora de Porto de Ave, Francisco Soares, mais do que a romaria, a sua preocupação é a gestão de todo este património o ano inteiro.

Segundo vincou, o Santuário «tem muitos desafios» e existem «muitos projetos». «Mas nós não temos receitas suficientes para manter todo este património», disse.